Com dados na ponta da língua e estilo provocador, o governador de Minas Gerais calibra seu discurso para atrair o eleitorado antipetista e se consolidar como gestor.

Quem votar em um, leva três. Romeu Zema é uma mistura calibrada de Pablo Marçal, Jair Bolsonaro e Ciro Gomes, para quem quiser analisá-lo sem preconceito, para além de seus cortes e suas provocações midiáticas.
- Tem o jeito Marçal de lançar provocações em forma de acusações a adversários ou declarações sobre temas políticos, fora do senso comum, no tamanho certo para caber num corte ou título curto para redes sociais.
- Carrega de Bolsonaro a simplificação para ser entendido por qualquer um, sobre temas polêmicos desconfortáveis para a esquerda lulopetista — corrupção antes e costumes hoje.
- De Ciro Gomes, a verve afiada. Não tem o preparo intelectual do cearense verborrágico, mas está preparadíssimo com números e réplicas para corrigir e expandir as provocações e simplificações que distribui.
Está mais preparado, como admitiu a também polêmica Daniela Lima, uma de suas entrevistadoras mais duras, na entrevista desta segunda-feira no canal Uol (com Fábio Zanini), quando se abordou a esperteza mineira de se dizer dizer gestor sendo político.
— Daniela, você acha que eu falo igual político?
— O senhor faz um bom mix, um bom mix. Tá com tudo na ponta da língua, bem treinado… de vez em quando sai pela tangente…
Na ponta da língua, com riqueza de dados, estão seus temas mais recorrentes e polêmicos: as privatizações, o combate ao desperdício e à ineficiência da máquina pública (onde entra o Bolsa Família) e a corrupção (STF na berlinda).
Sempre permeados por um antipetismo e anti-esquerdismo visceral. Princípio, meio e fim de qualquer abordagem, textualmente ou marginalmente:
— Decidi ser candidato em 2015 porque o PT tinha acabado com o meu estado.
— Vou fazer segurança com alguém da polícia que já lidou com bandido. Chega de sociólogo, assistente social e antropólogo decidindo pela segurança pública.
É por aí que vai sempre que provocado a explicar, por exemplo, as contradições entre seu discurso anti corrupção e a aliança com o bolsonarismo, que tem explicações a dar sobre verões passados. Combater o PT, devolve, onde e com quem for.
Sempre ampliando o significado do mote à Marçal, simplificando para ser entendido como Bolsonaro e disparando dados como a metralhadora giratória de Ciro.
Após atrito com Gilmar, Zema cresce nas redes sociais
Os dados da consultoria Bites, reportados pelo site, indicam mais de 1,4 milhão de seguidores em todas as redes sociais de Zema, apenas em abril, quando Gilmar Mendes reagiu a suas críticas e ele dobrou a aposta.
Ganhou mais de 930 mil seguidores — 36% a mais — somente no Instagram, onde tem 2,5 milhões de seguidores. Flávio, com 10,2 milhões, cresceu 5,1%. Lula, com 14,6 milhões, cresceu 0,4%.
Prestem atenção em Ronan Santos, do Missão, o mais bem avaliado entre os jovens. Embora tenha bem menos seguidores aí, saltou 42%, 800 mil para 1,1 milhão.
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