Enquanto o mineiro mobiliza milhões com críticas ácidas ao Supremo, o filho do ex-presidente evita o confronto para não atrair a fúria da Corte sobre seus processos.

Flávio Bolsonaro tem tido tanto medo de falar do STF quanto Lula e mais do que qualquer outro de seus concorrentes à direita na corrida presidencial.
O que já vem afetando seriamente o humor de seus apoiadores, visivelmente interessados pelas movimentações de Romeu Zema contra o STF.
Está em números. O mineiro obteve 406 mil menções e 4,1 milhões de interações (soma de curtidas, comentários e compartilhamentos) entre segunda e quarta-feira, segundo a consultoria Bites.
Somente os dois vídeos em que atacou o Supremo — com a sátira dos bonecos Gilmar e Toffoli e seu discurso de perseguido — somaram mais de 1,e milhão de interações nos três dias. De seus seus 10 posts mais vistos este ano, 7 atacam o Supremo.
A média supera as menções ao escândalo do Master e triplica a que Flávio Bolsonaro vinha mantendo em cada um de seus posts até o início de abril, segundo outra consultoria, DSC Lab.
Considerando que as postagens de Flávio tem o dobro das interações das redes de Lula — apesar de o petista ter mais seguidores —, pode-se dizer que as interações de Zema chegaram ao sêxtuplo de Lula nos três dias.
Não é preciso ser especialista e nem de números para perceber o furacão que tem empurrando o balão de Zema para cima, diante de uma campanha, no mínimo, anódina de Flávio.
Seus posts têm sido um tanto quanto enfadonhos em criticar o governo Lula por rotinas de governo (teve um bem bobo criticando os custos da hospedagem dele na Alemanha), críticas sem novidade à insegurança pública e exaltações ao pai.
Evita o calcanhar de Lula — as denúncias de corrupção dos verões passados —, porque teme o efeito estilingue que pode rebater nas suas, e seu próprio calcanhar visado pelo Supremo.
Está documentado em muita notícia, entre outras coisas, seus cuidados para não embarcar nos pedidos de investigação de Dias Toffoli, a quem deve o favor de ter proibido o Coaf de liberar dados que poderiam provar as “rachadinhas” de seu gabinete e lavagem de dinheiro de sua loja de chocolates.
Suas críticas ao Supremo se restringem, em termos genéricos, rebatidos e por demais conhecidos, aos “abusos” e “excessos” de Alexandre de Moraes. Evita qualquer outro ataque aos demais e à instituição.
Enquanto Zema diz que “o STF está podre”, ele chegou a dizer que “é um erro imenso colocar o Supremo como o grande problema nacional”. Nas atuais circunstâncias, é um balão meio murcho.
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