Ao criticar o aliado na primeira hora do escândalo, o governador mineiro adota um cálculo amador que afasta o eleitorado bolsonarista e abre espaço para rivais.

Romeu Zema ainda é pato político, mesmo depois de 7 anos e meio no governo do estado escola das patranhas políticas.
Só isso explica por que foi a primeira liderança nacional relevante a criticar na primeira hora Flávio Bolsonaro pelo envolvimento catastrófico com o Banco Master.
No desespero de projeção fácil, que vem marcando sua campanha desde que viu dar certo sua estratégia de pegar pesado com o STF, ele atribuiu ao aliado — de que pode vir a depender — o que não se fala nem ao inimigo.
— Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa.
Com isso, contratou a rejeição figadal da extrema direita bolsonarista, de estimados 20% do eleitorado, 14% nas contas mais pessismistas. Sem contar o efeito contágio na direita inteira, simpática a Flávio, que chega a 33%, um terço do eleitorado.
Queria agradar a quem? Seu cálculo de amador pode ter sido o de atingir o centro político, que, estima-se, não quer nem Flávio nem Lula.
Mas ninguém leva a eleição sem somar o centro com o seu nicho à direita ou à esquerda. Lula também visa o centro, mas com seu balaio de votos da esquerda e da extrema-esquerda firme debaixo do braço.
Zema jogou fora o balaio da centro-direita com algum voto da direita, que continuará com Flávio, independente de qualquer denúncia. E ainda abriu espaço para seu concorrente Ronaldo Caiado posar de conciliador tático, no episódio.
A velha raposa de Goiás, calejada por algumas décadas no Executivo e no Legislativo, limitou-se a recomendar ao líder das pesquisas — de que pode vir a precisar — que se explique.
Somente isso, para não jogar qualquer voto fora numa hora dessas.
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