Por que a deputada católica e conservadora supera Tereza Cristina e Zema na estratégia para conquistar o Nordeste e atrair o voto religioso moderado.

Ser mulher não me parece o melhor atributo para compor a chapa de Flávio Bolsonaro, como insiste o cacique do PL, Valdemar Costa Neto.
Seu argumento se ancora em uma suposta preferência feminina por Lula e uma rejeição equivalente aos Bolsonaro. Embora sustentada pelo estilo “brucutu” do capitão, não se confirmou nas urnas de 2018 e 2022, quando os votos de Jair foram proporcionais ao tamanho desse eleitorado.
A insistência no “fator mulher” sugere um machismo às avessas: a crença de que elas são facilmente influenciáveis por narrativas — salvo, claro, as militantes que as fabricam.
A justificativa real para a escolha de Simone Marquetto (PP), com quem Flávio se reuniu ontem em São Paulo, é mais pragmática, em duas frentes:
1. O cálculo partidário: atrair o PP de Ciro Nogueira — que ensaia flertes com o governo Lula — é vital pela capilaridade da legenda no Nordeste.
2. O fator ideológico. Marquetto é uma militante vocal da direita conservadora e religiosa, especialmente em pautas como o aborto. Sua atuação em movimentos católicos no próprio Nordeste, ao lado de Michelle Bolsonaro, atiça a pauta de costumes que é cara ao bolsonarismo e desconfortável para a esquerda lulista, diante de um eleitorado cada vez mais sensível ao discurso religioso.
Há, contudo, uma nuance: Marquetto é católica. Se por um lado isso pode gerar ciúmes na sólida base pentecostal de Flávio, por outro é um ativo para atrair o voto católico que hoje pende para Lula.
Estrategicamente, ela supera Tereza Cristina. A senadora do Mato Grosso do Sul representa um agronegócio que já é bolsonarista por natureza e não conquistaria mais votos do que os já conquistados. Além disso, é vacilante no tom conservador que a direita exige e parece mais interessada na presidência do Senado em 2027 do que no sacrifício da vice-presidência.
Quanto a Romeu Zema, defendido por Jair Bolsonaro, o mineiro parece descartado pela própria teimosia em ser o cabeça de chapa.
Não que ele agregue mais que as outras duas opções, mas sua viabilidade é nula diante da resistência em recuar. Sobre essa ideia atrasada de que vice mineiro ganha eleição sozinho, deixo para alongar em outra oportunidade.
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