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Racha na família: A briga entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas

6 de abril de 2026 por Ramiro Batista Deixe um comentário

O “kkk” que expôs a crise de hegemonia da direita e a dificuldade de Flávio Bolsonaro em controlar os conflitos internos em sua campanha presidencial.

Como previ aqui, as primeiras pesquisas comprovam as dificuldades do carioca Carlos Bolsonaro para tomar a segunda vaga ao Senado de veterano Espiridião Amin em Santa Catarina.

A última da AtlasIntel o coloca em terceiro lugar (18%), atrás, como se esperava, da candidata natural do PL,  Carol de Toni (30%), e de Amin (20%). Disputa o segundo lugar num clima de alta resistência em parte do eleitorado de engolir a prepotência de lhe enfiarem um estrangeiro goela abaixo, havendo outras opções locais mais consolidadas.

A pendenga pode estar na origem da polêmica de dimensões continentais que expôs o racha familiar da direita, neste fim de semana, depois que Eduardo Bolsonaro se ofendeu com um “kkk”  mal pensado de Nikolas Ferreira.

O deputado mais votado do Brasil apenas curtiu o comentário de um influenciador relevante da direita (Silvio Grimaldo), que é bolsonarista convicto mas que cometeu o pecado, segundo os padrões de Eduardo, de ainda não assumir devidamente a candidatura do irmão Flávio.

Cobrado por fidelidade e por estar, segundo Eduardo, adestrando seu algoritmo para promover inimigos da família, Nikolas respondeu com um kkk. Uma forma de reduzir à sua verdadeira dimensão a reação despropositada do filho problema, alojado em seu bunker nos EUA, de onde parece querer dominar a sucessão presidencial.

Poderia ser as dores do crescimento, de um partido se sentindo em cima das tamancas depois do crescimento mais acelerado que se previa mesmo com a prisão de seu líder maior. Foi o que mais atraiu parlamentares na janela partidária, elevando para mais de 100 sua bancada na Câmara.

(Lembrou o PT no auge, com suas pretensões incorrigíveis de hegemonia, fechado a alianças, com tantas facções quanto cabiam numa assembleia.)

Mas a discussão filosófica movida a kkk é de outra natureza: a da hegemonia de uma família, que parece comandada de fato pelo irmão americano, ressentido por ter sido expulso do jogo. Foi rejeitado por óbvio em suas pretensões de se re-candidatar a outra vaga no legislativo, por São Paulo, depois de ter abandonado a que tinha conquistado com votação recorde.

Mesmo estando errado. Nikolas Ferreira faz dobradinha com Michele Bolsonaro em decisões pragmáticas para atrair aliados fora da família, no óbvio interesse da candidatura de Flávio. Deve ser angustiante ter que explicar ao estrangeiro de Washington a obviedade da opção, sem usar um kkk.

É o que o candidato Flávio também deveria ter feito, ao invés de se dar ao trabalho de postar um vídeo longo, pedindo paz aos correligionários, como fez no domingo à noite, ao modo da direita de administrar as coisas.

Acabou dando importância demais ao irmão problemático e sugerindo a ideia de que não consegue dominar sua campanha presidencial nem dentro de casa.

Arquivado em: POLÍTICA

Sobre Ramiro Batista

Sou escritor e jornalista formado em Letras e Literatura, Comunicação e Marketing, experiente em escrever, editar, publicar, engajar e promover pessoas e ideias. Compartilho tudo o que sei sobre o uso de ferramentas de comunicação para conquistar e manter poder.

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