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Professor da USP cobra autocrítica da esquerda e respeito à direita

7 de junho de 2026 por Ramiro Batista Deixe um comentário

Pablo Ortellado defende que os progressistas usem sua influência institucional para incluir os conservadores no debate público e frear o ciclo de radicalização.

O professor de Gestão de Políticas Públicas da USP, Pablo Ortellado, é a primeira grande voz de esquerda na grande imprensa que percebo empenhada numa autocrítica de sua intolerância com a direita.

Dos progressistas, como se define, em relação aos conservadores, como ponto de partido mínimo e urgente de se buscar uma civilidade democrática em que o embate se dê por persuasão e não por demonização do adversário.

Seu artigo deste domingo em O Globo tem um quê de atribuir maior radicalização à direita, embora seja reflexivo sobre a injustiça do hábito de se tratar apenas ela — e não também a esquerda petista — como “extrema”.

É sintomático que responsabilize os progressistas pela iniciativa de incorporar os conservadores no debate público, ao admitir — raro, nunca tinha lido em jornais — que a esquerda tem o controle dos meios influentes do pensamento: imprensa, universidade, justiça, meio artístico.

Segue um resumo de bons cinco parágrafos:

1. “Tornou-se lugar-comum em meios de esquerda argumentar que a polarização política é “assimétrica”, justificando que a esquerda caminhou para a centro-esquerda, enquanto a direita se deslocou para o extremo. Essa leitura se apoia no fato de que “a referência estabelecida da direita é hoje o bolsonarismo”, visto como ultraconservador, enquanto a referência da esquerda reside no PT, considerado um partido moderado e democrático cuja atuação em cinco governos nunca colocou a democracia em risco.

2. Diante desse cenário, surge a questão sobre o que provocou a transição da moderada aliança PSDB-PFL para o bolsonarismo radical. Os próprios conservadores apontam como motivo o sentimento de estarem sufocados por regras de discurso, alegando que “sua visão de mundo e seu modo de ser não são tolerados pelos progressistas, que criminalizam suas condutas e aplicam regras muito adversas nas instituições que controlam”. Por outro lado, a resposta progressista sustenta que tal exclusão ocorre porque os conservadores se posicionam “fora das normas civilizadas, delimitadas pelos direitos humanos”.

3. É justamente nesse ponto que reside a essência do conflito: ao se sentirem excluídos pelas instituições, os conservadores se revoltam e se radicalizam, o que dá mais motivos para que o progressismo os mantenha afastados, alimentando um ciclo vicioso. Essa dinâmica resulta em visões profundamente hostis de ambos os lados, onde “o progressismo enxerga o conservadorismo como reação, atraso e desrespeito a regras de direitos humanos”, e os conservadores veem os progressistas como tiranos que impõem regras absurdas. Como nenhum grupo reconhece a legitimidade do outro, o diálogo é abandonado.

4. Para romper esse ciclo perigoso, defende-se que o campo progressista faça o primeiro gesto, assumindo a responsabilidade que vem de sua maior influência institucional. Afinal, “não resgataremos o convívio democrático se insistirmos no debate estéril sobre quem começou ou de quem é a culpa pela crise”. A superação dessa paralisia exige que as instituições se tornem mais plurais, promovendo uma discussão ampla das orientações normativas para alcançar um maior consenso social antes da imposição de regras.

5. O objetivo central deve ser o de “criar um ambiente em que os conservadores se vejam como parte do jogo e, como resposta, se desradicalizem”. Compreende-se que a exclusão de conservadores em nome de valores democráticos acaba, involuntariamente, ameaçando a própria estabilidade institucional. Sem tolerar o golpismo, a violência ou a discriminação, é crucial reconhecer que o sistema não se sustenta quando grandes parcelas da sociedade deixam de ver legitimidade nas instituições, lembrando sempre que, “numa democracia, a única vitória legítima é aquela conquistada pela persuasão”.

Arquivado em: POLÍTICA

Sobre Ramiro Batista

Sou escritor e jornalista formado em Letras e Literatura, Comunicação e Marketing, experiente em escrever, editar, publicar, engajar e promover pessoas e ideias. Compartilho tudo o que sei sobre o uso de ferramentas de comunicação para conquistar e manter poder.

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