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O silêncio de Lula sobre a queda do Bolsa Família

6 de abril de 2026 por Ramiro Batista Deixe um comentário

Por que o governo evita celebrar o pente-fino moralizador de Haddad que cortou 3 milhões de benefícios, preferindo a velha bengala do assistencialismo.

Uma das melhores marcas do terceiro governo Lula não deve ser explorada por ele, ainda mais quando se noticia que anda encomendando à equipe mais algumas “entregas” para o seu saco de bondades eleitoral.

É a queda significativa do número de benefícios do Bolsa Família, como revela matérias e gráficos excelentes do site Poder360. Caiu de 21,9 milhões em janeiro de 2023, primeiro mês de seu governo, para 18,8 milhões de famílias atendidas hoje.

Naqueles dias, o país herdado de Jair Bolsonaro tinha 49,6 cadastrados no programa para cada 100 pessoas com carteira assinada e, em 13 estados, mais beneficiários do que carteiras assinadas. Hoje, são 38,6 beneficiários para cada 100 com carteira assinada, e o número de estados com mais dependentes do que registrados caiu de 13 para 9.

Os dados alvissareiros foram atingidos graças a um pente fino responsável do ministro da Fazenda Fernando Haddad, que tesourou mais de 2,1 milhões de benefícios apenas em 2025. Em 2026, os números ficaram estáveis. Era querer demais cortar em ano de campanha.

É possível que o governo explore politicamente  o aumento do emprego formal, que cresceu em proporção inversa. Subiu de 44,4 milhões naquele mês para 48,8 milhões agora. Sem falar na queda dessa sua velha e irresistível bengala de assistência.

Mas uma coisa pode estar relacionada à outra. Quem vive no Brasil sabe que grande parte dos prestadores de serviço informais não querem carteira assinada para continuar recebendo o benefício, apesar de ter outras rendas.

(Já escrevi que, caso fosse possível cruzar os dados dos beneficiários com suas contas bancárias, ver-se-ia que não se trata de miseráveis e o número cairia radicalmente.)

Em benefício de Lula, se diga que nenhum outro candidato — salvo talvez Romeu Zema — vai elogiar o corte moralizador, nascido para ser emergencial para famílias comprovadamente miseráveis, mas que virou um monstrengo intocável, de forte apelo nas campanhas eleitorais.

Jair Bolsonaro, que se elegeu prometendo acabar com ele, o quadruplicou em valor e em quantidade na campanha eleitoral de 2022, usando a desculpa da emergência da Covid. Para não faturar obra dos outros, Lula manteve os R$ 600 quando a pandemia já tinha passado e acrescentou mais R$ 200 por filho

Nas entrevistas de todos os candidatos além dos dois, desde Fernando Henrique Cardoso que a inventou, prometem, no máximo, um vago estímulo para estimular as pessoas a deixarem de depender dela. Criar “uma porta de saída”, como dizemm.

Para, uma vez eleitos, a ampliarem. Só Haddad, que não prometeu nada, diga-se, começou a fazer o que precisava ser feito.

Arquivado em: POLÍTICA

Sobre Ramiro Batista

Sou escritor e jornalista formado em Letras e Literatura, Comunicação e Marketing, experiente em escrever, editar, publicar, engajar e promover pessoas e ideias. Compartilho tudo o que sei sobre o uso de ferramentas de comunicação para conquistar e manter poder.

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