Como a resiliência fiscal transformou o ministro no “único adulto na sala” para a Faria Lima, criando uma alternativa técnica que o próprio PT detesta.

Austericida para o petismo, Fernando Haddad pode emergir como a saída mais natural para Lula, caso o presidente de fato desista da reeleição — possibilidade que ventilou ontem em entrevista ao canal ICL Notícias, após fortes rumores sobre sua substituição por Camilo Santana.
— Banqueiros e executivos já chegaram a abordar lideranças do PT e o próprio ministro para falar sobre o tema — relata a sempre bem informada Mônica Bergamo, da Folha.
A ferrenha oposição que Haddad sofreu dentro de casa para manter um mínimo de compostura fiscal parece, ironicamente, tê-lo credenciado junto aos donos do dinheiro.
Enquanto era fustigado pelo próprio Lula e alvo histórico dos ataques de Gleisi Hoffmann, sua imagem ganhava contornos de viabilidade técnica fora da bolha partidária.
Nos bastidores da Faria Lima, passou a ser chamado de “o único adulto na sala”, enquanto Gleisi liderava a tropa que o acusava de promover um “austericídio” e pregava que o país não poderia ser refém do déficit fiscal.
Tudo sob o apoio velado — e sabido — do chefe, que sempre operou no “dividir para governar”. Quando Lula decidiu ser explícito, logo no início do mandato, não hesitou em desidratar publicamente a meta de déficit zero do acabrunhado ministro diante de uma plateia de jornalistas.
Haddad só sobreviveu ao cargo por uma elegância, paciência e resiliência comparáveis às de quem suporta 580 dias de cárcere sem deixar a moral abater, apostando na volta por cima.
Se Lula de fato sair do tabuleiro — um sinal ainda sutil no radar — e parte da Faria Lima fechar com o ministro, o PT vai detestar. Mas, no atual cenário, o ódio do partido soará como o maior dos elogios. E mudará completamente o jogo.
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