Em Brasília, o pragmatismo une rivais improváveis sob o lema de que o inimigo do meu inimigo é meu amigo, tudo para proteger interesses comuns e enterrar novas crises.

Chupa essa manga. O lulista Alexandre de Moraes teria se associado ao novo e ao velho anti-Lula — Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro — para derrubar o indicado do governo ao STF, em nome dos interesses da direita que quer seu impeachment, com apoio de Alcolumbre.
A ciranda, em análise em muita mídia e analista sério, lembra o velho adágio dos políticos para as alianças de (in) conveniência mais improváveis entre os aliados mais estranhos, num caos em que nem a vaca de faro mais afiado não reconhece o seu bezerro.
Tem estranheza de sobra para ser desqualificada pelos críticos da hipótese, mas não se deve duvidar em se tratando de Brasília, onde — segundo outro adágio — “todo mundo é cúmplice” e um terceiro assegura que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”.
E que tudo é possível quando o calo aperta, o pescoço está ameaçado, e todos têm o mesmo objetivo comum. Que, no caso atual, atende pelo nome “Master”. Nenhum dos três quer saber de CPI a respeito, por diferentes e importantes motivos. O menos envolvido em suas lambanças, Flávio, tem amigos a proteger e votos a negociar em nome de enterrá-la.
No caso de Moraes e Alcolumbre, tem também o sobrenome “impeachment”. Não é possível afirmar que tenha havido um pacto descarado contra as duas coisas entre Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre, que se encontraram pelo menos duas vezes em jantar arranjado, dias antes do abate de Jorge Messias no Senado.
Não é assim que as coisas acontecem. Basta estar perto, conversar, trocar afagos e amenidades. Não é preciso falar nada. Também é coisa de Brasília, cada um de dois interlocutores numa festa saber que bezerro o outro quer esconder ou proteger.
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