Como a falta de perspectiva econômica e o assistencialismo populista asfixiam a confiança do mercado e consolidam o desejo de mudança em 81% do país.

Por que “raposas felpudas” de faro aguçado como Lula cometem erros primários de avaliação que podem ser fatais para suas trajetórias? Esse é um dos mistérios que rondam meus quase 50 anos de proximidade com o ecossistema político.
No caso atual, o enigma é ainda mais desafiador: o presidente enfrenta uma rejeição resiliente na casa dos 50% e um desejo de mudança geral que atingiu 81% em pesquisa recente da AtlasIntel, apesar de conduzir um governo que, sob métricas frias, é no mínimo razoável.
Minha hipótese hoje tem nome simples: perspectiva. Lula refugiou-se no varejo das “bondades” para a base da pirâmide, fiel ao seu assistencialismo populista incorrigível. Esqueceu-se de soletrar diariamente, entre um exercício e outro no Alvorada, a palavra mágica: pers-pec-ti-va.
A Engrenagem da Confiança
É sobre ela que os detentores do capital — o tal Mercado — especulam, investem e criam riqueza. É a perspectiva que gera empregos, irriga a arrecadação, permite a queda dos juros e recupera o poder aquisitivo. Quando ela funciona, contamina positivamente a classe média de cima a baixo, criando um clima de otimismo sistêmico.
Lula parece não ter notado que asfixiava as expectativas a cada vez que anunciava uma nova benesse sacrificando um orçamento já exaurido, desautorizando publicamente seu ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Não por acaso, o ministro é visto pelo próprio PT como um “neoliberal”, rótulo admitido até pelo teórico do partido, Celso Rocha de Barros, em artigo recente.
O DNA do Gasto
No DNA de Lula — e na incubadora de seu partido — reside o dogma inabalável de que o gasto público é o único motor da vida e da riqueza. Rejeitam a liberdade de competir com o mínimo de intervenção estatal.
Lula não percebeu — ou não quis perceber, fiel ao mantra “gasto é vida” de sua pupila Dilma Rousseff — que o dinheiro é covarde: ele foge do risco, encolhe-se ou busca pastos mais verdes em outras fronteiras.
Não adianta carimbar ministros como neoliberais — ou tucanos, como também já chamaram Haddad — ou empresários como fascistas insensíveis. Qualquer chefe de família sabe que é hora de frear quando as contas não fecham.
O empresariado não interrompe investimentos por antipatia ideológica, mas por experiência. Se o governo gasta além da conta e contrata uma recessão futura, investir torna-se um ato de estupidez.
O Resultado do “Climão”
Ao amedrontar o setor produtivo e assassinar a “perspectiva”, Lula consolidou um sentimento nacional de que o governo oscila entre o regular e o ruim. Instalou-se a percepção de que o país não tem solução a curto prazo — ao menos, não com ele.
É sintomático que seu ministro “neoliberal” — que enxergou o que o presidente se recusou a ver — esteja hoje melhor posicionado nas pesquisas e, ironicamente, nas… perspectivas de carreira.
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