Refém de um discurso anacrônico, o governo Lula patina entre o inchaço da máquina pública, prejuízos recordes nos Correios e a incapacidade de furar a bolha da esquerda.

O PT deveria ser a última instância a que Lula deveria se socorrer para descobrir um discurso novo que o reaproxime do andar de cima — a tal frente ampla que traiu depois da posse — e descongele seus índices estagnados nas pesquisas.
O partido está em congresso neste fim de semana para descobrir um mote de campanha, repetindo seu eterno giro em volta do umbigo anti-liberal atávico: estatismo num estado estatal para estatizar tudo o que for possível estatizar na economia e na vida pública.
E piorar as coisas, a seu jeito de procurar sempre novos gastos quando precisa cortá-los.
Na semana passada, ficou-se sabendo que a fila de exames do INSS, que Lula prometeu zerar em 2022, quando a herdou de Jair Bolsonaro com 1,2 milhão de pessoas, está em mais de 2,8 milhões.
Nesta semana, que os Correios — herdado de Bolsonaro com um prejuízo de R$ 750 milhões depois de um lucro de R$ 3,7 bilhões em 2021 — bateu a casa de R$ 8,5 bilhões de prejuízo, em 2025.
Entre uma coisa e outra, os luminares do partido dentro desses órgãos criaram, respectivamente, o PEFPS (Programa de Enfrentamento à Fila da Previdência Social) e um plano de reestruturaçao dos Correios (com empréstimo do Brics de Dilma Rousseff), que só pioraram as coisas.
Poderiam simplesmentes privatizar os dois, mas o partido que adora assembleias, programas, planos e projetos tem um histórico de aproveitar as crises para fazer farolagem de marketing, farejar negócios e/ou, principalmente, empregar mais alguns companheiros, não necessariamente os mais competentes.
Produzir mais saúde e educação, nunca foi de fato o objetivo real do partido. Mas, sim, defender seus trabalhadores e fortalecer seus sindicatos, por mais empregos, mais benefícios, mais privilégios. É sintomático que nunca defendeu mais segurança, porque não existe sindicato relevante na área.
Não peça ao PT que defenda a demissão de um só professor ou um só médico de um sistema falido, porque inchado, perdulário e ineficiente. Não tente falar com seus líderes de gestão, eficiência, resultado, meritocracia. É coisa de neoliberal, para eles.
Essa é a raiz do que a banda da sociedade que se afastou de Lula — sistema financeiro, profissionais liberais, agronegócio — chama de “discurso velho”, manjado, em torno do umbigo, alimento de décadas do atávico mote “nós contra eles”.
Que Lula, refém desse discurso e da velha companheirada que emprenha seus ouvidos, repete como boneco de ventríloquo. Mandou um vídeo bem nessa linha para a abertura do congresso, na sexta, e deve repetir ladainha parecida no encerramento, neste domingo: aumentar cada vez mais o estado para distribuir mais benefícios, mesmo que não esteja dando certo. Muito menos eleitoralmente.
A alternativa seria prometer a privatização das filas e dos Corrreios (se ainda houver quem queira comprar depois de destruído), no primeiro dia do seu novo governo. Mas quem disse que o PT deixa? Como demitir um só funcionário de um e de outro? Ou: como deixar de empregar mais um num ou noutro?
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