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O Azarão: o filme que transforma Bolsonaro em herói místico

16 de maio de 2026 por Ramiro Batista Deixe um comentário

Roteiro vazado aposta na jornada do herói perseguido pelo sistema para fidelizar militantes e consolidar a narrativa conspiratória da facada de 2018 nos cinemas.

A julgar pelo roteiro vazado esta semana, o filme sobre Jair Bolsonaro tem tudo para decepcionar quem gosta de bons filmes políticos baseados em histórias reais, como foi o grande fiasco O Mecanismo, de José Padilha, sobre a Lava Jato. E tudo para agradar a devotos, religiosos e políticos.

É a jornada de um herói em crise, perseguido pelo sistema — ou mecanismo — que é impelido a sair de sua rotina mundana para cumprir uma tarefa sobre humana para salvar o mundo. Enfrenta alguns obstáculos nesse novo mundo mau, até o clímax em que precisa decidir se desiste ou vai em frente, para a tragédia ou o final feliz.

O detetive protagonizado por Selton Mello na série, o candidato a presidente da República vivido pelo ator Jim Caviezel, que não por acaso já fez Jesus Cristo — o protótipo do herói instigado a deixar sua vidinha de marceneiro. Enfrenta todos os obstáculos contra o clero mancomunado com império romano até o ápice em que precisa decidir se continua rezando no deserto ou volta para mudar seu destino e de seu povo.

(Lembra Lula – O Fiho do Brasil, de Fábio Barreto, de 2010, menos decepcionante como filme de história real, mas com o mesmo propósito e sem a mesma competência do roteiro hollywoodiano.)

Não à toa também que o nome bem escolhido é O Azarão (Dark Horse). Jair Bolsonaro é anti-herói sem relevância que cresce ao enfrentar a facada símbolo de toda a conspiração de um sistema perverso que encapsula a esquerda e a imprensa más, obstáculos à sua missão de salvar e levar sua gente ao paraíso.

Tem tudo de um roteiro perfeito para a teoria conspiratória criada pelo bolsonarismo à época, de que o ataque à faca sofrido nas vésperas da eleição de 2018 foi uma conspiração da esquerda (Adélio Bispo aparece como um revolucionário patrocinado por um partido de esquerda, de nome parecido com o Psol), com simpatia de uma jornalista idem.

E para arrastar multidões que não gostam de cinema de verdade, como as que vão mais de uma vez a um filme de Edir Macedo. Ou de Lula, vá lá.

Arquivado em: POLÍTICA

Sobre Ramiro Batista

Sou escritor e jornalista formado em Letras e Literatura, Comunicação e Marketing, experiente em escrever, editar, publicar, engajar e promover pessoas e ideias. Compartilho tudo o que sei sobre o uso de ferramentas de comunicação para conquistar e manter poder.

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