Ao cutucar o “imperador do mundo”, o anão diplomático busca resgatar sua imagem de líder anti-imperialista, sob risco sofrer represálias ou cair no ridículo.

Lula vem cutucando Trump desde o início do ano, no óbvio propósito de ressuscitar seu melhor momento no governo e nas pesquisas, quando saiu em defesa da soberania nacional contra o tarifaço provocado pelo tiro no pé de Eduardo Bolsonaro, no meio do ano passado.
Atacou quando teve uma pauta:
1. a intervenção do Itamaraty para proibir um assessor da Casa Branca — Darren Beattie — de visitar Jair Bolsonaro na Papudinha,
2. o reflexo da crise do petróleo na economia pelo ataque ao Irã,
3 . a expulsão do policial brasileiro alocado no serviço de imigração da Flórida, após a prisão e soltura de Alexandre Ramagem.
— Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa.
E atacou quando não teve.
Tem tido um prazer especial de aproveitar um microfone dentro e fora do país para acusar o que ele chama de “imperador do mundo” de fazer guerras e/ou atacar a soberania alheia. Genericamente ou diretamente ou ironicamente, em termos pessoais, como no ponto máximo a que chegou em Portugal:
— Então, é importante que a gente dê logo o Prêmio Nobel para o presidente Trump para não ter mais guerra. Aí, o mundo vai viver em paz, tranquilamente.
Os ataques sem tiro podem esquentar um pouco os índices de pesquisa, na medida em que evocam no inconsciente coletivo sua aura de macho anti-imperialista, enquanto Trump, preocupado com suas guerras, ignorar.
Se reagir, a seu jeito intempestivo ou esnobe, Lula corre dois riscos:
- Se com alguma represália mais dura, um tarifaço ou algo que o valha, Lula terá dado um tiro nos interesses nacionais e no próprio pé, como Eduardo Bolsonaro.
- Se com desdém correspondente à conhecida desimportância do Brasil — também conhecido como “anão diplomático” —na diplomacia mundial, Lula pode cair no ridículo.
Mas só no curto prazo. Vai perder uns pontos nas pesquisas, mas nada que não recupere. Porque outro de seus talentos, além de escolher e provocar o adversário, é saber explorar bem o papel de vítima.
Deixe um comentário