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Lula acima dos partidos: O homem que sobrevive ao PT

7 de abril de 2026 por Ramiro Batista Deixe um comentário

Como o prestígio pessoal do presidente reverteu o mapa eleitoral na janela partidária, enquanto sua legenda definha e cede espaço para aliados de centro.

O PT definha a cada eleição, mas o vigor de Lula — acima das siglas e das composições regionais — é notável.

É impressionante que Fernando Haddad, em São Paulo, e Rodrigo Pacheco, em Minas, já apareçam competitivos contra os líderes Tarcísio e Cleitinho apenas pelo “carimbo” de indicados do presidente.

O paradoxo impressiona no Ceará: seu inimigo íntimo Ciro Gomes lidera uma frente de direita contra o PT, vencendo o petista Elmano de Freitas por 56% a 39\%. O que não arranha o prestígio de Lula no estado, que vence Flávio Bolsonaro por 55\% a 36\%. O povo rejeita o partido, mas não o homem.

As articulações de Lula reverteram cenários desfavoráveis no Sudeste. No Rio de Janeiro, a sorte — que também o ajuda — quebrou a espinha dorsal da direita com a inviabilidade de Cláudio Castro, pavimentando o caminho para o favorito Eduardo Paes.

Ao mesmo tempo, Lula despachou 17 ministros para fortalecer palanques fora do Nordeste. A ordem do chefão é clara: “perder por menos” nos estados adversos. É o aprendizado de 2022, quando cedeu à pressão do PT e bancou nomes inviáveis como Rogério Correia (MG) e Edegar Pretto (RS).

Ao fim e ao cabo da janela partidária, Lula saiu como o grande vencedor silencioso:

– O PL de Flávio Bolsonaro chegou a 97 deputados e o PT estancou em 67. Contudo, as forças que realmente equilibram o jogo (PSD e PP) pendem majoritariamente para o Planalto. Dos quatro governadores do PSD de Caiado, três já estão com Lula.

– Na esquerda, apenas o PSB cresceu, servindo de abrigo para os chegados de Lula, como Alckmin, Pacheco e Simone Tebet. O PT para, recua e cede, mas Lula, não.

Há apenas 60 dias, o mapa eleitoral parecia desenhado para Flávio Bolsonaro. Publiquei um mapa azul, onde a oposição dominava palanques que somavam 113 milhões de eleitores, deixando para Lula apenas o “vermelho” do Nordeste, com seus 43 milhões de votos.

Bastaram a janela partidária, as articulações cirúrgicas e o uso abusivo de seu prestígio pessoal para o mapa, digamos, avermelhar novamente.

Arquivado em: POLÍTICA

Sobre Ramiro Batista

Sou escritor e jornalista formado em Letras e Literatura, Comunicação e Marketing, experiente em escrever, editar, publicar, engajar e promover pessoas e ideias. Compartilho tudo o que sei sobre o uso de ferramentas de comunicação para conquistar e manter poder.

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