O julgamento sobre a eleição direta ou indireta fluminense e como as afinidades jurídicas dos ministros coincidem com os interesses de Lula e Flávio.

A goleada de 4 a 1 no primeiro tempo para a ala que defende a eleição indireta no Rio de Janeiro é mais uma prova da clivagem por interesses e afinidades que racha o STF em dois grupos bem distintos — o azul e o vermelho, digamos para facilitar a visão de campo
O Time Azul — escalado com Carmen Lúcia, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques — levanta a bandeira do TSE e da Constituição Estadual. Argumentam que o respeito à norma local e ao conflito de regras prevalece: embora o Código Eleitoral preveja eleição direta em caso de cassação, a renúncia estratégica de Cláudio Castro na véspera esvaziou o objeto. Para eles, a letra fria da lei da renúncia mata a jogada da cassação.
Já o Time Vermelho — formado por Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e, possivelmente, Dias Toffoli — joga no ataque contra a interpretação literal. Entendem que a “manobra jurídica” do governador foi um drible sujo para forçar um pleito indireto e entronizar o eleito pela Assembleia e seu candidato a sucessor, Douglas Ruas.
Da arquibancada, o que se vê é claro: o Azul joga com o regulamento debaixo do braço, focado nas regras escritas para o caso específico. O Vermelho joga por inferência, buscando a intenção “criminosa” por trás do ato, fundamentando-se não no caso direto, mas no conceito de fraude à lei.
(Moraes, aliás, é o camisa 10 do julgamento de intenção. Basta lembrar da cassação preventiva de perfis de direita pelo que *poderiam* vir a postar).
Como ambos os lados parecem ter e não ter razão simultaneamente, os magistrados apelaram para os dribles típicos de quem sabe “contorcer o pescoço da verdade” — como diria Odorico Paraguaçu — ou tirar as meias sem desamarrar as chuteiras. O jogo passou a ser decidido no extracampo.
O Time Azul usou o argumento pragmático: a logística caótica de realizar eleições diretas às vésperas do pleito de outubro. E marcou um ponto ao acusar o adversário de “atropelar” o TSE antes mesmo da publicação do acórdão.
O Time Vermelho, por sua vez, jogou com o medo do “Coringa” assumir a cadeira, termo que a imprensa e as redes sociais adoraram. Gilmar, mestre em acusar os outros de usarem argumentos “porosos e elásticos”, disparou sem provas que 32 deputados fluminenses recebem mesada do bicho.
No maior lance da partida, Flávio Dino tentou um “totó” na bola ao pedir vista, tentando esticar o impasse até que qualquer solução direta se torne inviável. Mas, em uma jogada ensaiada, o Time Azul antecipou seus votos — 4 a 1 — para constranger o craque vermelho a devolver a bola logo.
É tentador mapear as afinidades: a eleição indireta é o oxigênio do grupo de Flávio Bolsonaro, hoje no poder no Rio. A direta é o tapete vermelho para o favorito das pesquisas, Eduardo Paes, o candidato de Lula e autor da ação.
Longe de dizer que os ministros jogam com a camisa dos padrinhos, mas é impossível ignorar que o alinhamento jurídico do Time Vermelho tem uma coincidência exata com o interesse eleitoral do Planalto.
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