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Gilmar Mendes: A Raposa Política que se Vê como o Próprio Dono da Lei

24 de abril de 2026 por Ramiro Batista Deixe um comentário

Sob o trato afável com a imprensa, Gilmar Mendes camufla um perfil autocrático que atropela o Legislativo e personifica o Judiciário sob a máxima de que a lei é ele mesmo.

Gilmar Mendes é uma raposa política felpuda como Lula. Sabe muito bem como sair da toca quando está acuado para se deixar ser entrevistado pelos veículos que interessa sobre o que convém falar, dissimular ou atacar para melhorar sua imagem.

Como no périplo que fez por pelo menos quatro nos últimos dois dias — Globo, Correio Braziliense, Record News e site Metrópoles —, para contestar a relevância das denúncias e dos acusadores sobre os seus excessos e dos demais ministros, culpar o congresso, a imprensa e o contexto histórico pela má fama atual do Supremo.

— O inquérito das Fakenews vai acabar quanto terminar.

— Temos hoje de 180 a 200 milhões de juristas dando opinião sobre o Supremo.

— A imprensa também não é das instituições mais bem avaliadas no mundo todo.

Sem deixar de se promover, pingando aqui e ali uma nota sobre ações que tomou para melhorar a qualidade da justiça — seu combate aos penduricalhos — ou das leis a seu ver mal feitas pelo Congresso.

Raposa que camufla a esperteza como atributo natural não treinado, Gilmar Mendes soa como um democrata no trato afável e mesmo bonachão com os jornalistas, que parece mesmo respeitar e admirar.

Não pisca um olho e não move um músculo da face diante de pancadas de jornalistas, como as muito bem dadas pela grande Renata Lo Prete no Jornal da Globo. Teve um entrevero sério, que ficou por isso mesmo, com Josias de Souza, num Roda Viva.

Mas é um autoritário de quatro costados, que jornalistas e suas entrevistas não vão captar. Porque só se revela nas entrelinhas para quem tem capacidade de ler, paciência para discutir e irreverência para perguntar.

Três perguntas que, por despreparo, impaciência ou insegurança — produto de uma reverência sacerdotal à personagem —, os jornalistas não fazem:

1. Por que Vossa Excelência toma críticas pessoais como ataques à instituição, como acabou de fazer no caso das piadas de Romeu Zema?

2. Por que Vossa Excelência acha que pode acusar sem provas e sem risco de punição deputados do Rio por relação com bicheiros ou, um senador, com milicianos?

3. Por que Vossa Excelência se acha no direito de corrigir leis feitas pelo Congresso?

A resposta está numa variação de “o estado sou eu” (L´État c´est moi”)  de Luiz Rei Sol XIV. “Le loi c´est moi”.

O herdeiro legítimo de uma sociedade autocrática e assimétrica de que fala Fernando Schuler (meu post de domingo). O autocrata com espírito de imperador que se confunde com a instituição, não acha que não deve satisfações e pode corrigir o que fazem os representantes do povo.

Ao defender a decisão de 2023 com que o STF flexibilizou a lei do impedimento de ministros atuarem em processos movidos por escritórios de seus parentes — que hoje beneficia Alexandre de Moraes e Dias Toffoli —, Gilmar disse a Lo Prete com todas as letras que a lei “foi extremamente mal feita”. Estando errada, decida-se modificando-se-á.

Nesta semana mesmo, ajudou a cassar a decisão dos deputados da Assembleia de Santa Catarina, que suspenderam as cotas raciais nas universidades estaduais. Seu argumento, com em muitas outras ocasiões, foi o de que os legisladores não se ativeram a estudos e fatos.

— Se aceito como precedente, esse raciocínio sujeitaria qualquer produção legislativa a controle judicial sobre a qualidade do processo deliberativo — escreveu hoje, num grande artigo em O Globo o professor da USP Pablo Ortellado.

Convictamente, no fundo de sua herança autocrática, para além do que podem captar jornalistas e entrevistas longas, a raposa bonachona na frente das câmeras se acha mesmo a instituição em pessoa, que está acima da lei e que é sua missão existencial corrigir o congresso.

E talvez a imprensa, talvez os políticos e talvez a população de 200 milhões de juristas.

Arquivado em: POLÍTICA

Sobre Ramiro Batista

Sou escritor e jornalista formado em Letras e Literatura, Comunicação e Marketing, experiente em escrever, editar, publicar, engajar e promover pessoas e ideias. Compartilho tudo o que sei sobre o uso de ferramentas de comunicação para conquistar e manter poder.

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