Ao propor a redução para 14 anos em crimes hediondos, a direita encurrala o governo em um tema popular, forçando o presidente a escolher entre sua base e o eleitorado.

Flávio Bolsonaro está jogando na rede a isca da redução da maioridade penal para 14 anos, em casos de crimes hediondos, motivado por caso recente de estupro coletivo por adolescentes.
É um aperfeiçoamento ao projeto dele mesmo no Senado, que já reduzia para 16. Sabe que a maioria da população — escaldada com a impunidade em todas as faixas etárias — aprova.
E é um tema desconfortável para seu principal adversário, Lula. Caudatário de antiga e convicta campanha de sua base progressista, radical na defesa dos direitos humanos.
Isca de igual potencial foi jogada pela direita há dois anos, na discussão do projeto da Saidinha (Lei 14.843/24). A direita aprovou em peso o fim do beneficio e transferiu ao presidente o ônus de vetar e assumir a defesa do que seria explorado como “defesa de bandido”.
Lula contornou. Manteve a proibição de saída de autores de crimes hediondos, mas, em nome do “respeito à dignidade humana”, vetou apenas à parte que proibia saídas para visitas a familiares.
Esse veto acabou também sendo derrubado, mas a manobra presidencial acabou confundindo e colocando alguma água no chope da comemoração da direita.
Na campanha agora, porém, não se trata de veto. Vai ter que responder em praça pública se concorda com a redução se for provocado por Flávio. Como será.
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