Na tentativa de mitigar danos, o senador confirma que cobrou o banqueiro do caso Master após a prisão, mas a estratégia de marketing político acaba jogando mais lenha na fogueira.

Flávio Bolsonaro atendeu a um dos mantras da gestão de crises do marketing político, de antecipar a próxima que virá em decorrência da última, antecipando-a.
Revelou o que não se sabia e acreditava poder se transformar numa bomba de maior octanagem , com a conversa ruim de que foi cobrar satisfações de Daniel Vorcaro na cadeia:
— Fui, sim, dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco.
A ideia de antecipar uma grande revelação para reduzir sua importância quando ela chegar por outros meios.
Problema é que, quando ela é tão grande e determinante para uma desmoralização no ponto mais agudo de uma crise de desconfiança, a antecipação serve mais para antecipar, também, a crise. E ampliá-la antes da hora.
A cara viralizada de Sérgio Moro no momento da revelação é o tipo de coisa que não precisava ser antecipada. E vai parar de novo no inconsciente coletivo quando a comprovação da visita ao preso ilustre chegar ao noticiário.
Marketing político funciona quanto tudo funciona. É apenas uma boa variação do bom senso, quando bom senso há, e é fácil amplificá-lo.
O velho bom senso diria que. ontem, Flávio deveria ter procedido como quem está dentro de um buraco: parar de cavar.
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