O relatório da PF que aponta tráfico de influência e a estratégia de Gilmar Mendes para blindar o STF através da desmoralização de Nunes Marques.

Investigadores da Polícia Federal que atuam no “caso Master” estão concluindo que a situação do ministro Alexandre de Moraes é ainda mais delicada que a de Dias Toffoli. A informação foi revelada ontem por Caio Junqueira, da CNN Brasil — jornalista de trânsito privilegiado tanto na corporação quanto no STF.
Com base no material coletado até agora, eles acreditam que Toffoli possui a atenuante de ter realizado uma transação comercial (a venda de sua cota no resort que se tornou pivô do escândalo). Já Moraes teria se empenhado diretamente na defesa do banqueiro em nome do contrato da família. Um caso gravíssimo de — acrescento eu — tráfico de influência e advocacia administrativa.
A batata quente e o corporativismo
Embora os policiais não tenham prerrogativa para investigar ministros da Suprema Corte, eles têm a obrigação de repassar essa “batata quente” ao até agora omisso procurador-geral Paulo Gonet ou ao próprio presidente do STF.
O risco, contudo, é o de uma união de forças entre os ministros para desqualificar as apurações e proteger o colega, repetindo o que fizeram com Toffoli após a entrega do relatório comprometedor que chegou às mãos de Edson Fachin pelo diretor da PF.
O fator Nunes Marques
Junqueira acrescenta um bastidor determinante: o ministro Nunes Marques estaria sendo alvo de um processo de desmoralização pública. O objetivo seria deixá-lo acuado e constrangido a votar por uma eventual punição ao colega, caso a disputa chegue ao plenário.
Com o voto dele e o da bancada liderada por Gilmar Mendes — que inclui Moraes, Toffoli, Flávio Dino e Cristiano Zanin —, o grupo alcançaria os seis votos necessários para o controle da situação.
Não há outro sentido para os vazamentos recentes sobre as viagens de Nunes Marques em aviões de Vorcaro para festas em Maceió e Trancoso, além das notícias de que o escritório de seu filho teria recebido R$ 300 mil por serviços prestados ao mesmo banqueiro.
— Ou investigam todo mundo, ou não investigam ninguém — parece ser a estratégia, segundo estima o analista.
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