O embate entre o senador e o decano do STF sobre a “blindagem da elite judiciária” e o relatório da CPI que aponta o crime organizado de alta linhagem.

O senador Alessandro Vieira teve o seu momento de vingança maligna do todo poderoso decano do STF, Gilmar Mendes, a quem não perdoa por ter dado o primeiro grande tiro que contribuiu para o fiasco da CPI do Crime Organizado, que ele relatava.
Numa ótima entrevista no Roda Viva, no início de março, disse com todas as letras que o ministro “cometeu uma fraude processual” ao desencavar uma ação morta de 2021 para cassar a decisão da CPI que abriu o sigilo bancário da empresa da família Toffoli, Maridit, enrolada com o banco Master.
— Nós temos infelizmente uma elite no judiciário que inventa normas para se proteger. A gente vai ter que romper essa blindagem em algum momento.
Ele acha, sim, que ministros como Gilmar e seus companheiros de blindagem militante — Alexandre de Moraes, Dias Toffoli — juntamente com o PGR Paulo Gonet, são de fato parte do problema da impunidade instalada no país.
Mas nunca foi além das sandálias, a seu jeito técnico, sereno e cuidadoso, que faz dele um dos melhores senadores da República. É um adversário respeitável que tem autoridade para dizer que os ministros do Supremo se “acham os donos do Brasil”, como disse hoje, em reação à reação destemperada, como em geral arrogante, de seus alvos.
Foi porque Gilmar se encaixa de forma emblemática na sua tese de que:
— O verdadeiro crime organizado no Brasil não usa apenas fuzil; ele usa caneta, toga e mandato. O crime de alta linhagem é aquele que se infiltra nas estruturas de Estado para garantir a impunidade dos seus e o financiamento do sistema através do orçamento público.
Problema é que passou demais e acabou fazendo um relatório ideológico e eleitoreiro, que não condiz com seu currículo. Não é tarefa fácil deixar de indiciar um só traficante para sugerir e indiciar os ministros do supremo pela existência deles.
Deu uma arranhada feia na biografia e ajudou Gilmar Mendes e seus companheiros a posarem de vítimas e vestais. Outra vez.
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