O ataque ao “andar de cima” com a marca dos 4 Bs é estratégia manjada do petismo para segurar sua base de votos, pavimentando o caminho para o acordo de última hora.

Fato velho tomado como novo no noticiário político, a notícia de que Lula vai dobrar à esquerda em campanha, atacando o andar de cima, ressuscitando o famigerado “nós-contra-eles”. Desta vez, traduzido numa boa marca de marketing — os 4 Bs: Bolsonaro, banqueiros, bets e big techs.
Ele sempre fez isso até a véspera de todas as eleições que ganhou. Vai nessa toada — que chamou de “a zelite” nos tempos do macacão de operário — até fazer um acordo à última hora com a centro-direita. Só ganhou assim, desde a Carta aos Brasileiros que afastou o medo dos empresários na primeira vitória, em 2002.
O cálculo, de que já falei aqui, é manter fechado o seu embornal de votos, o seu monopólio, o seu nicho, digamos — os pobres, a classe média baixa, a corporação dos sindicatos, das universidades, do funcionalismo público e todo mundo que depende do estado para viver. Uns 40 a 45% do eleitorado, nas minhas contas.
Na vésperas, acena à centro-direita para arrastar mais um bocadinho de votos que o faça ultrapassar os 50% necessários. Deu certo sempre e foi especialmente didático em 2022, quando lançou a frente que, à última hora, atraiu Simone Tebet e Geraldo Alckmin, numa reedição da Carta de 2002.
Daí que é difícil acreditar que vá fazer diferente agora. Que um marqueteiro experimentado como Sidônio Palmeira — o muito proável autor dos 4 Bs — vá cair numa dessa, a não ser que tenha uma mágica que o mundo do marketing político e a velha tática lulista desconhecem.
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