Ao autorizar ação da PF contra bolsonarista no caso Master, o ministro do STF demonstra independência e sinaliza que a delação de Daniel Vorcaro pode ir a fundo.

Dias Toffoli e Alexandre de Moraes devem estar colocando as barbas — a barba e a careca, vá lá — de molho com o fato de que a primeira grande operação da PF para pegar graúdo envolvido no caso Master tenha chegado a um bolsonarista.
Como o colega relator que autorizou a operação — André Mendonça — foi indicado por Jair Bolsonaro, evaporam-se as maledicências de que ele não iria pegar pesado com gente de casa. O que daria motivo legais e morais para questionar suas decisões
André tem se mostrado tão sério, sereno e centrado, que já rejeitou outros pedidos apressados da PF e — acima dos partidos — ameaça rejeitar a proposta de delação de Daniel Vorcaro, por sinalizar que tenta proteger seus cúmplices.
Aí é que mora o perigo das barbas e carecas em molho. Tudo no ministro — inclusive a generosidade recente com o petista Jorge Messias — tem evocado independência que pode tornar a vida do banqueiro complicada se não colaborar de verdade.
Vai ter que entregar, além dos cúmplices no mundo político, os juízes com os quais se relacionava, aos quais pedia ajuda e dos quais, pelo que parece, ainda espera algum socorro.
Um dia, seu processo sai do controle do relator sereno e cai nas turmas ou no plenário do Supremo, onde poderá reencontrá-los. Problema é o tempo que isso pode levar.
Deixe um comentário