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João Ubaldo deu voz ao povo, sem nunca tê-lo alcançado

18 de julho de 2014 por Ramiro Batista Deixe um comentário

Foto Diego Mascarenhas - Wikimedia Commons
João Ubaldo: o escritor popular que abandonou a academia para dar voz ao povo em seus livros não conseguiu que ele comprasse seus livros (Foto Diego Mascarenhas – Wikimedia)

Quando lançou Viva o Povo Brasileiro, em 1984, João Ubaldo Ribeiro contou que, em atendimento a seu pai, queria escrever um livro grosso, que parasse em pé.

A história do Brasil a partir de epopeia de gente comum, inspirada na raia miúda de sua Itaparica, tinha 700 páginas.

Era seu jeito de debochar do esnobismo intelectual das cátedras de universidade, que andou namorando como mestre em Administração Pública e Ciência Política pela universidade da Califórnia. De onde pariu um livro tese: Política – Quem Manda, Por que Manda, Como Manda.

O livro de 1981 deve ter sido produto de seus conflitos com a vida literária. Tinha publicado até então três livros  inovadores, finos no sentido da palavra, daquele tipo de experimentação linguística que dava prêmio mas não dava público.

Sargento Getúlio, de 1971, o mais premiado deles, é a principal referência.

Narrado na primeira pessoa e num linguajar entre típico e inventado do Sergipe, se mete no fluxo de consciência de um sargento bruto que recebe a missão de conduzir um preso, adversário do chefe político local. No meio do caminho, uma reviravolta política muda as relações de poder e ele  não sabe mais a quem obedecer.

Era o acadêmico, formado em Direito, cheio de teorias a respeito da história do país, querendo dar voz aos miseráveis contra os desmandos e a hipocrisia histórica dos poderosos.

Viva o Povo Brasileiro projetou para o mundo e deve ter eliminado seus conflitos e definido sua vocação. Vieram seis outros, roteiros, adaptações para o cinema, traduções para várias línguas e uma carreira de 25 anos de colunista amado em O Globo.

Sem, porém, nunca ter conseguido produzir textos desabridamente populares e acessíveis que chegassem ao povão que adorava retratar em sua obra. Como ele mesmo reconheceu, seu texto era meio barroco, com tendência para o rococó bordado na paixão pela língua pátria.

Deve ter morrido com a angústia de ter amado o povo de seu país, não nunca ter sido popular junto a ele. Era, ele, amado. Mas não necessariamente sua literatura.

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Sobre Ramiro Batista

Sou escritor e jornalista formado em Letras e Literatura, Comunicação e Marketing, experiente em escrever, editar, publicar, engajar e promover pessoas e ideias. Compartilho tudo o que sei sobre o uso de ferramentas de comunicação para conquistar e manter poder.

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