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Ramiro Batista

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O que aprendi em Orlando e Miami sobre Estado mínimo e qualidade de vida

2 de agosto de 2016 por Ramiro Batista 7 Comentários

O que aprendi em Miami sobre Estado mínimo e qualidade de vidaO que passar o cartão de crédito, se automedicar e pagar o estacionamento tem a ver com Estado mínimo e sua força organizadora?

Duas semanas em Orlando e Miami observando pequenas grandes coisas do dia-a-dia me ensinam bastante a respeito. Três delas:

  1. Na maioria das lojas pelas quais passei, a atendente passa seu cartão e o devolve, sem pedir senha, assinatura, nada. O princípio parece ser o de que, se você está com o cartão, ele é seu e você tem responsabilidade sobre ele.
  2. Na loja de presentes e conveniência do hotel e no supermercado, há uma prateleira com medicamentos de urgência: anti-térmicos, antiinflamatórios, anti-histamínicos, pomadas de cortisona, colírios… Certamente que na mesma concepção de que você é dono do seu nariz e de sua saúde e que é a pessoa adequada para saber dos ricos de se automedicar.
  3. Você é que põe gasolina no seu carro e o estacionamento não tem muro, porta e vigia. Apenas uma máquina de dinheiro ou cartão para definição de tempo e pagamento. Apesar de nenhum controle aparente, ninguém ousa sair sem pagar porque se entende responsável pelas consequencias.

O principal dos três casos é que não há governo interferindo para obrigar ninguém a nada.

Estado oculto

O governo não obriga farmácias, supermercados, postos, estacionamentos e empresas de cartão de crédito a adotar medidas de controle contra roubo, como não proíbe ninguém de vender remédios sem receita para quem quer comprar.

Mas ele é uma presença oculta e silenciosa que todo mundo teme e reforça a liberdade e a responsabilidade individual. Todos param num cruzamento, independente de estar vazio, porque as consequencias legais serão mais duras que o acidente.

Como se não se cruza estacionamento sem parar, também não se constrói onde se quer sem licença e não se instala um negócio, uma carroça ou um quiosque onde se quer.

O resultado aparente é que não há ambulantes, não há motoqueiros, não há quebra-molas para reduzir a velocidade de carros em meio à desordem urbana. Nem  caminhões pesados trafegando por onde não pode.

E o resultado são pistas livres, enormes, sem buraco ou lombada, por onde se transita fácil e com segurança, nas estradas e na cidade. Praias e calçadões, onde ninguém se atreve a transgressões grandes e pequenas, como jogar lixo no chão, são limpos, livres e seguros. E a vida anda mais fácil e confortável.

E o Estado, aparentemente, ausente.

Como é duro e funciona, não precisa ter um funcionário ou um policial em cada esquina. Me impressionou que ao longo da grande e imensa famosa Ocean Drive, beira-mar de Miami Beach, atulhada de turistas, só vi dois policiais.

Lei e autoridade

O que, tudo somado, indica que estados eficientes podem ser mínimos, custar menos ao cidadão e oferecer mais serviços. E produzir menos leis, desde que uma só, a de respeito ao outro e seu patrimônio, seja cumprida.

(Li no fim de semana que o Brasil já produziu mais de 4,9 milhões de regulamentações, de leis a portarias, desde 1990. Lá, você não vê o Estado baixando normas e campanhas obrigando a se gastar mais ou menos água, luz, gasolina. O uso e abuso é produto da relação entre o consumidor e o vendedor desses produtos.)

Estados mínimos e fortes fazem cidadãos máximos e emancipados.

Não temos um caráter melhor ou pior do que o do cidadão norte-americano. Temos excesso de liberdade (beber em qualquer lugar e hora, inclusive ao volante) e de flexibilidade de autoridade. Sabemos que é remota a possibilidade de sermos punidos.

Tanto é que cidadãos norte-americanos aqui podem ser lenientes, como foram os responsáveis da American Airlines nos dois voos que me transportaram para lá e para cá: overbooking, troca de cadeiras e portões à última hora, atrasos, avião velho e apertado.

Não fariam lá o que fazem aqui. Como nós não fazemos lá o que fazemos aqui.

(Pretendo escrever um próximo artigo sobre como o Estado mínimo pode explicar por que um operário americano ganha de dois a três mil dólares ao mês, enquanto o brasileiro menos de 300.)

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Sobre Ramiro Batista

Sou escritor e jornalista formado em Letras e Literatura, Comunicação e Marketing, experiente em escrever, editar, publicar, engajar e promover pessoas e ideias. Compartilho tudo o que sei sobre o uso de ferramentas de comunicação para conquistar e manter poder.

Reader Interactions

Comentários

  1. Nunes diz

    3 de agosto de 2016 em 08:37

    O texto exemplifica bem o deslumbre que a nossa classe média tem pelo estilo de vida nos EUA. Classe média que nem imagina ver um de seus “Rebentos”marchando a – 30 graus nas montanhas do Afeganistão, ou correndo o risco de pisar em uma mina no Curdistão Iraquiano. Toda aquela sivilidade vem da bonança, que vem das pilhagens que o EUA , promovem mundo afora com seu Us army. Comer a carne e bom mas roer o osso ninguém quer.

  2. SILVANO FEBRONI diz

    2 de agosto de 2016 em 14:23

    Ótimo texto, realmente nós brasileiros somos reflexos da nossa arrogância e prepotência governamental e social, já morei fora, lá primeiro o individuo, e nada de coletivismo, se vc diz o que é, vc é, nada de provar o que vc é , se vc quer trabalhar tai o trabalho, se vc for bom vc fica , senão até outro trabalho, As leis funcionam e rápido, Até Portugal, onde fiquei , está anos luz em movimento de modernidade que nós que ficamos satirizando eles, Na verdade somos mediocres, sempre achamos que somos os melhores em tudo , quantas vezes encontrava brasileiros, eles somos melhor que isto, temos o país mais bonito, pq não conhecem a Suécia, Noruega, Letônia, nossas mulheres são mais sexy, que nada, não conhece as garotas tchecas, e assim vai, Somos mesmo um atraso, governamental e social, culpa, não é dos políticos e nossa, Nós gostamos disto, ser atrasados , poucos querem mudar. O texto nós mostra a nossa insignificância no contexto mundial.

  3. Alex Pinheiro diz

    2 de agosto de 2016 em 14:16

    Todos somos humanos, com defeitos e qualidades, a educacao tem muitas influencias, nao a cultura. O que prevalece eh o chicote da lei, todos nos o tememos. Aonde ele nao eh aplicado nos humanos reagimos da mesma forma em qualquer lugar. Infelizmente precisamos de leis severas para respeitarmos uns aos outros.

  4. Daniel diz

    2 de agosto de 2016 em 14:13

    O relato não tem nada a ver com “Estado mínimo”. Tem relação, sim, com o nível intelectual e moral da sociedade. A maioria dos serviços citados são privados, aqui no Brasil o governo não impede os estabelecimentos de implantar esse tipo de cobrança. Se implantássemos isso no Brasil seria o caos.. A sociedade brasileira não está preparada.

  5. André diz

    2 de agosto de 2016 em 13:50

    Olá, só não concordo sobre medicamentos. Lá até um soro fisiológico precisa de receita. Portanto, cortisona como citado no artigo não corresponde à realidade.
    Mas lá realmente as coisas funcionam e o respeito ao outro e ao coletivo impressionam.
    Vale ressaltar que são duas cidades turísticas.

  6. Fernando diz

    2 de agosto de 2016 em 11:08

    “Não temos um caráter melhor ou pior do que o do cidadão norte-americano. Temos excesso de liberdade (beber em qualquer lugar e hora, inclusive ao volante) e de flexibilidade de autoridade.”

    Na verdade creio sim que o brasileiro médio tem um caráter pior, assim como muitos outros países da América Latina. E é um problema cultural. A presença pesada e incompetente do Estado no Brasil é justamente por este problema cultural

  7. Marcos Pimenta diz

    2 de agosto de 2016 em 11:06

    Realmente é invejável. O que reputo como determinante do nosso estado abusivamente controlador e “dono do mundo” é exatamente nossa mentalidade terceiro mundista. Vale dizer que ainda teremos que esperar, pelo menos dois séculos para que cheguemos a compreender e agir como pessoas civilizadas de fato e respeitadoras do direito alheio.

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