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Ramiro Batista

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Sugestão de leitura para Dilma: Calabar, O Elogio da Traição

21 de abril de 2016 por Ramiro Batista 3 Comentários

Sugestão de leitura para Dilma: Calar, o Elogio da Traição
Dilma e a peça de Chico e Ruy Guerra na fase mais aguda da repressão: quem é traidor, afinal? (Foto José Cruz / ABr)

A presidente Dilma Rousseff bradou em rede nacional contra os traidores.

Consta que sentiu pela primeira vez o baque do que a traição representa na própria carne quando o governador e o prefeito do Rio, Sérgio Cabral e Eduardo Paes, de tantos convescotes e favores em comum, não atenderam suas ligações logo depois da convenção do PMDB em que o partido decidiu se afastar do governo.

Outras decepções maiores viriam com grandes, médias e pequenas traições.

Como a do ministro que usava sua condição de aliado para saber dos indecisos na contabilidade de votos do governo contra o impeachment e passá-los ao inimigo, a do outro que saiu para votar a favor e não voltou e a de deputados que juraram fidelidade eterna até chegar diante do microfone do impeachment.

Traição de certo é triste e previsível em política. Pode ser maior ou menor dependendo da capacidade do traidor de olhar ou não no olho e dizer porque está traindo.

Pequenos traidores que agem nas sombras tendem a ser descobertos com o tempo, grandes traidores podem virar heróis quando descobrem uma boa teoria que os justifiquem.

Repressão p0lítica

Dilma deveria saber disso quando foi presa no início dos anos 70 sob a acusação de trair o país, na fase mais aguda da repressão política. Ela deve se colocar como os grandes traidores, que tinham orgulho de sê-lo num contexto de alta repressão política em que era justo questionar se os verdadeiros traidores não seriam o que estavam no poder constituído.

Por essa época, Chico Buarque de Holanda escreveu com Ruy Guerra a segunda de suas grandes peças, Calabar, que, não por acaso, trazia o subtítulo “O Elogio da Traição“.

Num momento em que os militares do condomínio ditatorial falavam em nacionalidade, pátria e traição, a repressão política vivia sua fase mais aguda e era preciso falar por metáforas, eles foram buscar no grande traidor da história oficial, Domingos Fernandes Calabar, o mote para fazer o elogio da traição quando ela tem altos propósitos.

Grande aliado dos portugueses na luta contra a invasão holandesa no nordeste, no final do século XVII, ele desertou para o lado inimigo com a convicção, pelo menos poética da peça, de que um país colonizado pelos holandeses, como a Pernambuco do conde Maurício de Nassau, teria melhores perspectivas.

— Por que é que ele foi para lá? — choraminga num poema longo, como se fosse Dilma, o representante da Coroa Portuguesa Mathias de Albuquerque.

Um país melhor

A tese, camuflada num tempo de censura pesada de um regime que não aceitava contestação, era: quem é traidor afinal? Quem adere ao status quo por covardia ou rompe com ele, mesmo correndo o risco do calabouço?

Considerando-se pelo menos o projeto dramático da peça de que Calabar lutou por um país melhor do que o oferecido pelos portugueses, quem é o traidor, cara pálida?

A peça fala em traição todo o tempo, entre padres e militares, mulheres e amantes, e tem grandes e pequenos traidores como em Brasília, a fim de realçar o propósito do maior deles.

Bárbara, mulher de Calabar conhecida por nós na bela letra de Cala a Boca, Bárbara (“Ele sabe dos caminhos dessa minha terra / No meu corpo se escondeu, minhas matas percorreu”), tenta refugar o traidorzinho barato Sebastião do Souto, que catava vantagens saltando de um lado para outro da guerra:

Pobre Sebastião, você não sabe o
que é trair. Você não passa de um delator.
Um alcaguete. Sebastião, tira as botas.
Põe os pés no chão. As mãos no chão, põe,
Sebastião, e lambe a terra. O que é que
você sente? Calabar sabia o gosto da terra
e a terra de Calabar vai ter sempre o
mesmo sabor. Quanto a você, você está
engolindo o estrume do rei de passagem.
Se você tivesse a dignidade de vomitar, aí
sim, talvez eu lhe beijasse a boca. Calabar
vomitou o que lhe enfiaram pela goela. Foi
essa a sua traição. A terra e não as sobras
do rei. A terra, e não a bandeira. Em vez
de coroa, a terra.

Dilma poderia aproveitar o Dia de Tiradentes, outro de nossos grandes símbolos de traição com propósito, para ler a peça (pode ser no avião presidencial, onde estará esta quinta-feira a caminho de Nova Iorque e da tribuna da ONU).

Vai relembrar que, no meio dos tantos grandes e pequenos traidores com que veio tropeçando, pode haver também os maiores. Os de sentido histórico, que também têm um fim que os justifica e uma crença de que o país pode ser tocado melhor pelos seus inimigos.

Não resolve, mas consola.

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Sobre Ramiro Batista

Sou escritor e jornalista formado em Letras e Literatura, Comunicação e Marketing, experiente em escrever, editar, publicar, engajar e promover pessoas e ideias. Compartilho tudo o que sei sobre o uso de ferramentas de comunicação para conquistar e manter poder.

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Comentários

  1. Deocleciano Moreira diz

    21 de abril de 2016 em 20:14

    Pedantes, arrogantes, a presidente, Mercadante, Jacques, nem sabiam que existiam o baixo-clero no Congresso, pois se não recebia os deputados e ministros mais importantes do PMDB no palácio, receber um representante de partidos pequenos, nem pensar. E foram esses votos que lhe faltaram naquele momento, Se b em que depois que tentou salvar o barbudo da cadeia com habeas-corpus de ministro do bolso, foi condenada ao fogo do inferno

  2. cidrac pereira de moraes diz

    21 de abril de 2016 em 16:14

    Dilma, Itamar Franco, Luiza Erundina, José Bonifácio (o patriarca da independência) políticos honestos e honrados. Tenho orgulho deles!

  3. Roberto diz

    21 de abril de 2016 em 14:32

    Será ????? Fico pensando, quem realmente poderá tocar este País? O Cunha ? o Aécio corrupto ? o Serra ?

    FHC entreguista, o podre Themer, ……., outros ?? Não vejo perspectiva alguma, em nenhum lado, que nos é

    oferecido nesta política brasileira.

    brasileira ! Todos, indistintamente, podres !

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