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Mulher testa seu poder na onda de erotismo feminino na literatura

24 de agosto de 2012 por Ramiro Batista Deixe um comentário

Nova mulher testa poder do corpo em sexo anal, grupal ou sadomasô

Em 2001, saiu A Vida Sexual de Catherine M., autobiografia erótica em que a diretora da revista Art Press, uma das mais respeitadas da França, tratava de suas mirabolantes experiências sexuais.

Nada menos que sexo grupal com algumas dezenas de anônimos, na companhia do marido, nos lugares mais insólitos, clubes, praças, estradas, campos de futebol. A certa altura, o marido vigia uma caçamba da prefeitura, onde, ao cabo de uma noite, ela recebe 49 homens.

Em 2004, veio A Entrega, memórias da ex-bailarina americana Toni Bentley em torno dos arrebatamentos de uma relação erótica centrada tão somente em sexo anal.

Descreve em detalhes os momentos em que seu homem a coloca na posição adequada, desenvolve um lento ritual de lubrificação à luz do abajur e começa a penetração ritmada e sem pressa que vai explodir em gozo.

Agora, vem esse Cinquenta Tons de Cinza, primeiro da trilogia em que a inglesa E. L. James dá asas às fantasias em torno de uma relação detalhada de sadomasoquismo entre um milionário com necessidade de controle e uma estagiária aparentemente ingênua.

Na primeira vez com o homem que a tira do seu centro de gravidade, ela gasta nada menos que nove páginas para descrever as sensações de cada pequena ou grande etapa do processo que vai do beijo ao orgasmo, sem contar as outras 103 iniciais de preliminares de sedução.

Alguém já disse que, se fosse literatura masculina, a transa viria logo na segunda página. Mas, nos três, há a necessidade meio compulsiva de extrair o máximo da experiência, seja física, sensorial ou intelectual numa discussão sobre poder. Do sexo, aqui.

Catherine Millet, crítica de arte da mesma tendência dos franceses de sempre procurar uma teoria que tudo justifique, tem um grande prazer intelectual em especular sobre os motivos que a colocam debaixo de algumas dezenas de homens em espaços públicos.

Toni Bentley se compraz até dos rituais de higiene, do barulho do clique ao abrir a tampa do lubrificante, dos esguichos da água na banheira, antes e depois de sua viagem de quatro.

E a estagiária alterego de E. L. James saboreia cada estremecimento da carne em cada golpe inesperado do chicote que sobrevêm a um gesto de carinho. A certa altura, ela diz o que parece explicar o sentido dos três livros: “eu não sabia do que o meu corpo era capaz”.

As três autoras podem estar traduzindo uma certa necessidade feminina de tatear o corpo, entender suas possibilidades e os limites de seu poder, depois de passada a revolução feminina e superada a discussão de seu direito ao corpo.

Sim, a nova mulher não só tem todo direito ao seu corpo como está buscando entendê-lo para usá-lo da melhor maneira e tirar dele as melhores sensações de que é capaz.

Nem cabe mais a discussão sobre libertação feminina, se elas estão traduzindo uma necessidade de rompimento da dominação masculina.

Ao contrário, as três narrações reafirmam uma dependência quase erótica da proteção do homem. Estão lá desejos ancestrais de carência da força, do domínio e do controle do parceiro, desde o marido que vigia a caçamba em Millet ao milionário que dirige um helicóptero para impressionar a estagiária, em James.

Só que agora as mulheres parecem perceber enfim que o poder está em outro lugar, no corpo que, independente da posição, de quatro ou de costas, tem o pleno domínio da situação e precisa ser melhor compreendido.

Tudo indica que foi sempre assim. Mas os livros parecem revelar que só agora elas estão descobrindo isso.

Se tudo correr bem, os homens continuarão cada vez mais inúteis e relegados a papel de objetos de proteção e excitação nas horas adequadas.

E é possível que, no futuro, passada essa fase de entender o corpo e suas possibilidades nos mííííínimos detalhes, a nova mulher passe a escrever livros mais objetivos, mais secos e – que pena – menos prazerosos.

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Sobre Ramiro Batista

Sou escritor e jornalista formado em Letras e Literatura, Comunicação e Marketing, experiente em escrever, editar, publicar, engajar e promover pessoas e ideias. Compartilho tudo o que sei sobre o uso de ferramentas de comunicação para conquistar e manter poder.

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