Com a saída de Rodrigo Pacheco, a prefeita de Contagem vira o nome mais viável do PT para unificar a esquerda e segurar o palanque presidencial no segundo maior colégio do país.

Marília Campos é de longe a solução mais racional e pragmática de tábua de salvação para a campanha de Lula em Minas Gerais, depois de enfim definida a desistência de Rodrigo Pacheco.
Prefeita sempre bem avaliada do segundo maior município do estado (Contagem) e petista de coração, alma e cérebro, sempre foi a opção mais óbvia, que só esbarrava — esbarra — na sua muito bem justificada opção de disputar uma das vagas ao Senado.
As opções colocadas eram não soluções: dois empresários sem voto e sem ânimo (Josué Alencar e Flávio Roscoe), um procurador neófito em política partidária (Jarbas Soares) e um político bom de voto rompido com Lula (Alexandre Kalil) e, ainda por cima, não petista.
Seu concorrente dentro do partido, o deputado de seis mandatos Reginaldo Lopes, não tem experiência administrativa que possa ostentar em campanha e nem 10% do carisma dela.
Marília se encaixa também como luva na estratégia lulista de mandar petistas raíz para o sacrifício, de forma a perder por menos em estados adversos. Como fez com Fernando Haddad em São Paulo e com os ministros que despachou para se candidatar ao Senado Brasil afora. Gleisi Hoffmann no Paraná é o caso mais sacrificante e emblemático.
Não é certo que perca por pouco ou muito — ou mesmo perca — em Minas, considerando as dificuldades também da direita.
O líder das pesquisas Cleitinho Azevedo — com alto potencial de se esvaziar durante a campanha — tem sido visto mais como um problema. O governador Mateus Simões tem cara de gente boa no vídeo e potencial de crescimento, mas é muito desconhecido para o pouco tempo disponível de usar a máquina a seu favor. Dependerá da direita, sob o comando de Nikolas Ferreira, juntar seus cacos.
Indicar Marília só depende de Lula, já que parece esgotada a capacidade do presidente do partido, Edinho Silva, de encontrar outro candidato e/ou convencê-la.
Segundo se noticia, o grão petista precisa de um palanque urgente para entregar alguma uma obra em Minas, como vem fazendo nos outros dois estados mais adversos, Rio e São Paulo. Até 4 de julho, prazo final para esse tipo de presepada eleitoral.
Se depender dele e ela for convocada para uma conversa, corre altíssimo risco de aceitar. Como disse o candidato ao Senado por São Paulo, Márcio França, “se quiser dizer não para o Lula, não se encontre com ele”.
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