Oposição racha ao propor escala 4×3 para travar PEC. Enquanto petismo fala a língua do trabalhador, discurso liberal de Nikolas esbarra na complexidade estrutural.

Como aquele tipo de prefeito que põe placa de inauguração em obra ainda não concluída, para não perder o timing da campanha eleitoral, Lula vem inaugurando há meses o elefante branco do fim da escala 6×1. Que ainda depende de aprovação no Senado e só passará a valer de verdade no ano que vem.
Decorre de que se trata de um prato cheio para seu eterno palanque de defesa do trabalhador, alma de sua plataforma ideológica e eleitoral desde sempre. Ao mesmo tempo que muito vazio para as crenças liberais da direita.
O petista está com a faca e o queixo para fazer o discurso fácil do aumento do salário e do descanso, enquanto seus adversários precisam explicar que, bem, não é bem assim.
Por melhor das boas intenções, o discurso liberal bem intencionado é complexo, polêmico, de compreensão e resultado a longo prazo. Prioriza questões estruturais para produzir desenvolvimento e, por consequência, independência pessoal e qualidade de vida.
É para país desenvolvido, de adultos que resolvem suas demandas em negociação e não precisam de governo intervir. Nem o monstrengo de uma justiça trabalhista têm. Dar condições de pescar, simplificando. Ao invés do jeito fácil e romântico do papai estado dar o peixe, sempre.
Nikolas Ferreira, o que mais se parece atualmente com Lula na capacidade de falar a linguagem que o trabalhador entende, fez um esforço danado em vídeo para dizer que não basta o romantismo, porque as coisas não são simples.
Se a solução fosse fácil e dependesse apenas de criticar a insensibilidade das elites, pergunta ele, por que a esquerda não defende logo a redução para 4 ou 3 dias por semana? Ou defende o aumento do salário mínimo para R$ 5 mil?
No desespero, em plenário, a oposição, da direita de Nikolas, caiu no modo Lula e propôs — irresponsável e demagogicamente — uma emenda de última hora, propondo a escala 4×3. Jogou toda sua teoria no ralo com a má intenção de empacar a aprovação da PEC, até depois da eleição.
A manobra e todo discurso da banda que apoia Flávio Bolsonaro não vão resolver o problema estrutural da defesa que a direita faz do setor produtivo. O que carimba na testa do seu candidato sua diferença com a testa reluzente do discurso de Lula em defesa dos pobres.
É uma diferença proporcional, em sentido inverso, ao da violência urbana. Neste, é Lula que não consegue falar a língua do povo.
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