Cenário desafiador foca em sete fragilidades do governo, como o desgaste no Nordeste e a falta de aliados de peso. Oposição ainda carece de nome viável.

Andrei Roman, chefão do Atlas Intel — o primeiro instituto a detectar a ultrapassagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula, para cima e depois para baixo — disse em ótimo diagnóstico no Análise WW (CNN Brasil) que Lula tem mais chances de perder do que de ganhar. Mas não há à vista um candidato viável para vencê-lo.
Por sete questões estruturais:
- Lula representa um projeto político que não foi atualizado,
- teve um governo que não conseguiu altos índices de aprovação,
- não tem um conjunto de aliados de expressão — ministros de governo, governadores bem avaliados ou outras figuras de grande popularidade,
- seus programas sociais do passado, como Bolsa Família, já não tem mais a relevância que tiveram,
- a violência no Nordeste está afetando regiões do interior que nunca foram afetadas por esse fenômeno,
- existe uma erosão estrutural de sua base de sustentação na região (onde ganhava com uma diferença de 40% dos votos, agora em 20%),
- que é difícil de ser compensada no Sudeste, onde sua base de sustentação também está deteriorada.
O que lhe ainda lhe dá viabilidade é a falta de um candidato do outro lado, que não precisaria ser o melhor.
— Não precisaria ter muito carisma, não precisaria ter um programa particularmente inspirador… poderia fazer o mínimo para capitalizar contra um governo envelhecido, que não é tão popular.
Ele conclui que esse candidato até poderia ser Flávio, mas é pessimista que ele possa recuperar espaço “com uma bagagem tão negativa”
— Essa bagagem começa a pesar bastante.
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