Apesar do baque dos áudios com o banco Master, a falta de outra liderança que encarne o sentimento antipetista com a mesma força pode segurar o candidato na disputa.

Ninguém no pleno domínio de suas faculdades mentais pode responder à pergunta que não quer calar: até onde o áudio de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro pode derrubar seus índices nas pesquisas e até sua candidatura?
A essa altura, os melhores analistas evitam arriscar. Apostam no esquecimento rápido, passada a febre do barata voa da repercussão instantânea era das mídias sociais. E na falta de confiança de todos os parâmetros, numa época em que as pessoas são capazes de beber detergente para defender sua posição política.
Como todo detergente pode ter bactéria e todo político é igual, a opinião pública chegou a um ponto em que tanto os órgãos fiscalizadores de seu detergente de estimação, quanto a imprensa que persegue seu candidato idem, são suspeitos.
Para o tempo da instantaneidade de todas as mídias famintas por fatos novos, os cinco meses que faltam para a eleição é um século de muitas outras oportunidades de escândalos. Por nascer, crescer e morrer em tempo cada vez mais curto.
Flávio Bolsonaro tem que se preocupar com o surgimento de novos, em cascata. Que podem minar a percepção de expectativa de que ele pode ser a única solução anti Lula. E recolher os cacos dentro de sua própria base de apoio, com rachaduras expostas já no primeiro dia.
Poderia abrir um buraco, não na percepção de seu eleitorado capaz de tomar detergente em sua defesa. Mas na dos aliados, dos amigos, aqueles que até ajudam a carregar o chão, mas não entram junto na cova.
(Romeu Zema e alguns aliados históricos, como o influenciador Rodrigo Constantino, largaram a alça no primeiro dia.)
Salva-o, por enquanto, o fato de ter encarnado como nenhum outro candidato o espírito de que é o plebiscito contra o lulopetismo, como foi seu pai em 2018 e como foi Lula contra o próprio, em espelho inverso, em 2022.
Não há outro candidato à vista que encarne esse papel.
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