Estudo de economistas da USP e da UFRJ aponta cinco razões para os bons índices macroeconômicos não se converterem em apoio ao governo no bolso do eleitorado brasileiro.

Num daqueles ensaios de gastar meio domingo lendo, os professores de Economia da USP e da Universidade Federal do Rio, Laura Carvalho e Guilherme Klein, exumam muita estatística para radiografar o mistério da impopularidade persistente de Lula, apesar dos bons indicadores macroeconômicos, PIB em alta, inflação em queda e aumento do emprego.
Confirma o que vem sendo dito por aí, à boca pequena, das conversas de bar às rodas intelectuais, de que Lula não consegue mais oferecer um sonho, ninguém come PIB ou acha que sua vida está melhor. Ao se comparar com o passado, acha pouco e quer mais.
Por cinco razões bem fundamentadas, segundo organizam o estudo no caderno Ilustríssima da Folha, deste domingo. A grosso modo:
- O eleitor não compara o governo Lula com o de Bolsonaro, mas com o Lula dos primeiros governos, no início do século, que de fato entregou ganhos de renda, possibilidade de consumo e sonho de acessibilidade social.
- A inflação cai, mas os preços continuam altos. A comparação aqui é com os níveis de preços de 2019, a memória de poder comprar é de antes da pandemia.
- “O nível deprimido de renda após uma década perdida” de quedas subsequentes de produção, salários e empregos. Para manter o sonho, é preciso se endividar ou buscá-lo em bets.
- “A transformação cultural produzida pelas redes sociais, que criou padrões elevados de aspiração de consumo.” Os mais de 80% da população que compram blusinhas da Shoppe não se comparam mais com o vizinho, mas influencer mundiais.
“A frustração de uma geração escolarizada que descobriu que o diploma não garante ascensão social.” Ralou, estudou e descobriu que sua renda ainda é menor do que a dos pais.
Deixe um comentário