Com propostas de privatização radical e flexibilização do trabalho, o governador de Minas Gerais se credencia como a verdadeira terceira via contra o lulismo e o clã Bolsonaro.

Romeu Zema é o mais próximo que o brasileiro pode almejar de um Javier Milei tupiniquiim para dar uma sacudida no país, nos moldes que o maluco beleza fez na Argentina.
Nesta semana, seu consultor econômico Carlos da Costa — não por acaso um discípulo secretário de Paulo Guedes no Ministério de Bolsonaro — antecipou à Fábio Zanini da Folha de S. Paulo três de suas principais medidas, de dar dar calafrio na esquerda e mesmo na direita envergonhada:
- salário por hora trabalhada, sem limite de quantas horas ao dia e qualquer oneração na folha de pagamentos do empresário,
- privatização radical até das chamadas “jóias da coroa”, Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal,
- reforma permanente da Previdência, para que o número de contribuintes sejam ampliados e adequados a cada déficit.
São as principais — como redução radical de Ministérios — para reduzir o chamado “custo Brasil” e “libertar o trabalhador do governo”, que lhe come a maior parte dos ganhos em impostos e atravanca a produtividade das empresas com inchaço da máquina e regulação excessiva.
Numa variação do que prometia Paulo Guedes, de “tirar Brasília das costas do Brasil”, como entoa de forma muito parecida o economista:
- Hoje o governo fica com grande parte do que o trabalhador produz. Cada vez mais o brasileiro é empurrado para a informalidade. No pagamento por hora, cada um trabalha o quanto bem entender.
- As empresas têm dificuldade de empregar mão de obra qualificada, o custo do capital é exorbitante, a infraestrutura é cada vez pior. Empreender ficou muito difícil.
- A gente tem um mantra: fazer o brasileiro prosperar e o dinheiro voltar a valer. O brasileiro está trabalhando, mas não prospera, não está conseguindo investir. As despesas não estão cabendo no bolso.
Se Zema não alterar o plano até o dia prometido de seu lançamento (16 de abril) e não fazer concessões à patrulha ideológica progressista que vai fulminá-lo — à esquerda e mesmo entre a direita liberal —, no decorrer da campanha, poderá se credenciar como a verdadeira terceira via.
A que é de radicalmente diferente, estrutural e filosoficamente do que pensa os dois candidatos polarizados, Flávio Bolsonaro e Lula. Aliás, de qualquer dos demais colocados na disputa. Bem motossera de Milei.
Deixe um comentário