A aliança improvável entre o PSDB de Ciro e o PL dos Bolsonaro isola o PT no estado, forçando Lula a agir para conter o avanço da direita no seu principal reduto eleitoral.

Flávio Bolsonaro deu uma tacada de mestre ao dobrar as resistências de Michele e forçar o apoio antes impensável da direita no Ceará ao adversário Ciro Gomes, para desmontar o monopólio do PT no estado.
Pesquisas de ontem dos institutos Paraná e Atlas/Intel colocam o ex pedetista — agora no PSDB — com 10 a 15 pontos na frente das principais lideranças petistas locais, o ex e o atual governador, respectivamente Camilo Santana e Elmano Freitas.
Michele criou um climão nacional quando o palanque foi cogitado, ao lembrar frases do modo Ciro de ser, que chamavam seu marido de “ladrão” e “genocida”.
Flávio deve tê-la lembrado de frases de igual naipe dele contra Lula, de quem dizia que comandava uma organização criminosa, o PT, que usava a miséria como curral eleitoral.
Sua aliança junta, além do PL e evangélicos, o União Brasil do Capitão Wagner e o Novo de Eduardo Girão, fortes candidatos ao Senado, num clima de frente anti Lula e PT. Contra os quais guarda mágoas profundas desde que fritado pelos dois em na eleição de 2018, depois de décadas de parceria eleitoral.
Capaz de aliança com qualquer um com o mesmo propósito e contra qualquer outro que estiver no caminho, como o próprio irmão e ex-governador Cid, momentaneamente do lado de lá.
Lula sentiu o golpe, mas procurou não dar dimensão ao peso dos apoios ao novo adversário. Cutucado sobre o ex-aliado pela TV Cidade local, procurou desqualificá-lo como “destemperado” que “cria confusão”, “fala sem pensar” e, no que interessa à aliança da hora, muda de partido a cada conveniência.
Pode disfarçar o estrago, mas precisa urgentemente equilibrar o jogo neste que é o terceiro e mais influente colégio eleitoral do Nordeste, para compensar perdas em outros estados da região, diante do avanço da direita e dos evangélicos. Como vem tentando com Fernando Haddad em São Paulo, para compensar perdas no resto do país.
Michele anda em silêncio. Flávio deve estar rindo.
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