Enquanto evita o confronto direto com Flávio Bolsonaro, o presidente foca seus ataques na Faria Lima e tenta mobilizar sua base com a velha retórica da luta de classes.

A julgar por sua parolagem no Ceará, onde foi conter os danos da frente anti-petista liderada pela direita com Ciro Gomes, Lula ainda não elegeu Flávio Bolsonaro como o adversário ideal, o inimigo comum, como sempre fez sem suas campanhas eleitorais vencedoras.
Na semana em que o ministro chefe da Casa Civil Rui Costa cobrou publicamente do chefe da Comunicação Sidônio Palmeira mais propaganda de entregas do governo, optou pelo seu velho método.
Ressuscitou o “nós contra eles” que também sempre lhe deu bons frutos eleitorais, ao vociferar contra a Faria Lima, a famosa avenida de ricaços de São Paulo, com a velha arenga de que as elites odeiam o que faz para os pobres.
— Os banqueiros devem estar p* comigo.
Curiosamente, não lembrou a associação que fez entre ela e o apoio ao narcotráfico no meio do ano passado, que também lhe rendeu bons frutos de aprovação, juntamente com a batalha bem sucedida contra o tarifaço de Donald Trump, provocado por Eduardo Bolsonaro.
Perdeu ou quis perder a oportunidade de acusar o irmão candidato, Flávio, de estar pedindo de novo intervenção americana no país — em eleições, terras raras e combate ao narcotráfico — durante participação um tanto quanto desastrosa no encontro da direita mundial (CPAc) no Texas.
Falar de Flávio agora seria isolá-lo como único candidato do outro lado e, sabidamente, pior de enfrentar, como dizem as pesquisas e a melhor análise política. Isolar o adversário o adversário é sempre fortalecê-lo, ao eliminar as outras possibilidades.
Anda exigindo em reuniões no Planalto que o partido acelere as baterias para desqualificá-lo. Terceiriza o combate, na espera de que o bolsonarista caia e surja um outro candidato que seja mais confortável de isolar como competidor.
Não parece que vá arriscar enquanto o outro polo e a forma de combatê-lo não estiverem muito claras na sua cabeça.
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