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Alcolumbre vira à direita e articula derrota de Lula no Senado

30 de abril de 2026 por Ramiro Batista Deixe um comentário

Em um movimento histórico, o Senado rejeita o indicado de Lula ao STF. Entenda como o xadrez político e a traição de aliados selaram o destino de Jorge Messias.

Davi Alcolumbe foi o grande articulador da primeira grande rejeição de um indicado ao STF, em 132 anos, desde que Floriano Peixoto tentou indicar seu dentista. Um mini impeachment de ministro do Supremo, na impossibilidade de atender a direita num impeachment de verdade.

Não só por cargos e dinheiro de emendas para os quais tem uma conhecida voracidade. Precisa de obras no Amapá, onde seu candidato a governador (Clécio Luiz – União) — corre sério risco de não se reeleger contra o ex prefeito de Macapá  Doutor Furlan – PSD).

Também por isso, mas, muito antes disso:

  1. Nunca engoliu que Lula tenha subido no salto e insistido desde a primeira hora em lhe enfiar em goela abaixo o nome de seu advogado jovem e inexperiente (à maneira de Floriano) contra o indicado dele e do Senado inteiro, Rodrigo Pacheco.
  2. Tinha uma dívida a quitar com a direita que o apoiou na eleição para a presidência do Senado, em 2025, e uma fatura a apresentar depois da eleição. Percebe que o vento está virando e que qualquer candidato a dono do Senado como ele, em 2026, terá que pedir benção à maioria à direita.
  3. Farejou que as lideranças do governo o estavam traindo à última hora, assediando senadores no varejo com propostas de emendas e cargos, e não no atacado, através dele. Como bem do jeito faraó do Senado dele e igualmente do PT, que já mobilizou sua tropa de choque para peitar aliados em momentos trágicos. Como Eduardo Cunha, que se vingaria com a impeachment de Dilma.

Raposa que é, como fazem as mais malandras, aproveitou bem as circunstâncias, os múltiplos interesses contrariados em volta, para produzir o resultado avassalador e terceirizar a culpa nos ressentidos e dissidentes, no e com o governo e o STF.

  1. A direita — afinada por Flávio Bolsonaro e Rogéro Marinho — votou coesa como nunca, mesmo Messias ter feito confissão de fé em pautas conservadores (contra o aborto) e na contenção do Supremo. Contribuíram as ações de Gilmar e da família de Alexandre de Moraes contra o relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira. nas vésperas.
  2. Moraes e outros membros da bancada governista no Supremo, como Flávio Dino, tinham motivos para mobilizar votos no Senado contra o indicado, que vinha deblaterando contra os excessos da Corte e a favor do fim do inquérito das Fake News, filho dileto de Moraes. Flávio havia advertido Lula desde a primeira hora que o nome era ruim.
  3. Rodrigo Pacheco tinha motivos para fazer — como se diz que fez — campanha paralela contra o indicado, utilizando o poder que ainda tem dentro do Senado. Ainda tem a ilusão de que seja indicado por Lula, em caso de fiasco da candidatura ao governo de Minas, que nunca quis.

Ajudaram-no muito o salto alto misturado ao amadorismo da articulação política do governo.

Alguns de seus líderes, confiantes em planilhas de excell de assessores sobre votos, traições e dissidências, não perceberam o que políticos e jornalistas experientes em casas legislativas sentem pelo cheiro assim que chegam para a reunião: o clima de confiança da oposição, desde o início.

Dava tempo de fazer alguma coisa, como fizeram na votação da prorrogação da CPI do Crime Organizado, quase aprovada pela manhã. Bastou um adiamento para virar o resultado.

Arquivado em: POLÍTICA

Sobre Ramiro Batista

Sou escritor e jornalista formado em Letras e Literatura, Comunicação e Marketing, experiente em escrever, editar, publicar, engajar e promover pessoas e ideias. Compartilho tudo o que sei sobre o uso de ferramentas de comunicação para conquistar e manter poder.

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