Do linchamento ao uso da AGU para silenciar críticas, o PT e o governo mostram que o combate ao ódio nas redes serve apenas como pretexto para controle.

Nunca duvidei que a gritaria da esquerda contra a baixaria, o linchamento e o domínio da direita nas redes sociais era uma questão de inveja.
Quando pudesse, essa grande precursora da guerrilha virtual calcada no “nós contra eles”, faria o mesmo. É do jogo. Está acontecendo antes do que previ, do esperado e do previsto.
Só nesta semana, descobriu-se que o PT gastou R$ 411 mil com o impulsionamento pago de anúncios para denegrir Flávio Bolsonaro.
Logo depois de ter sido contra uma proposta de regulamentação do TSE, que só permite o gasto para promover candidatos em no calendário da campanha eleitoral. O partido foi contra, por desconfiar que maior flexibilidade poderia beneficiar a direita, sabidamente colonizadora as redes.
Na outra ponta, a Advocacia Geral da União atendeu a uma demanda da deputada e presidente da Comissão da Mulher, Erika Hilton, para censurar comentários de influenciadores e jornalistas (Madeleine Lackso, por exemplo) no X, contra o PL da Misoginia.
A notificação extrajudicial foi encaminhada pela famigerada Procuradoria Nacional de União da Defesa da Democracia, criada justamente no governo Lula, para combater linchamentos como o do PT e proteger censura como a de Erika.
Não se trata de um incidente de percurso. O avanço do aprendizado das esquerdas no jogo sujo das redes é produto de cálculo, em que o governo, seu partido e suas lideranças se empenham há bom tempo. Desde pelo menos 2018, quando perderam as eleições pelo canhão midiático de Jair Bolsonaro.
Assim que voltaram ao poder, em janeiro de 2023, a primeira dama Janja Lula da Silva atraiu um grupo de influenciadores amigos ao Palácio, com a desculpa de mobilizar as “forças progressistas” do mundo digital pela defesa da democracia.
Com a intenção real de “controle social” da internet como foi um dia a mobilização para o “controle social da imprensa”. Não é outra coisa a arenga recorrente de Lula pela regularização das mídias sociais contra o ódio, sem lembrar do que anda fazendo o seu partido.
É sintomático que na dita reunião estava Raphael Souza, dono da página de fofocas Choquei, preso na última semana por lavar dinheiro para o narcotráfico em conluio com funkeiros. Janja levou ao palácio influenciadores em muitos aspectos parecidos com seus concorrentes na direita radical.
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