De Marina Silva a Simone Tebet, as figuras que ajudaram a derrubar Dilma agora são as peças-chave de um presidente que, ironicamente, foi quem mais lucrou com a queda.

Lula não tem o que reclamar do impeachment de Dilma Rousseff, no que diz respeito aos apoios que nunca deixou de ter de nomes estrelados do PT ou ligados a ele e seu governo que ajudaram a derrubar sua pupila, há dez anos.
Como Marina Silva, Marta Suplicy e Simone Tebet, para ficarmos só em mulheres emblemáticas, no momento em que ele anda fazendo pajelança em eventos destinados a se aproximar do público feminino. Depois que a última Datafolha indica que ele perdeu, pela primeira vez, a maioria desse universo para Flávio Bolsonaro.
Marina disse em entrevista logo após a sessão histórica de 17 de abril de 2016, que:
— Apoiei o impeachment por convicção, houve crime de responsabilidade. Não me oriento por métrica eleitoral.
Simone Tebet justificou seu voto na sessão que tirou Dilma da cadeira por 367 votos a favor do impeachment contra 137 a favor (7 abstenções e 2 ausências), responsabilizando o governo da petista “pelas consequências nefastas a esta e às futuras gerações que pagarão esta conta”.
Marta coroou seu voto com a entrega de uma coroa de flores a Janaína Paschoal, a advogada do impeachment que o partido que ajudou a fundar odiava como nenhuma outra mulher à época.
A Folha de S. Paulo procurou 19 deles. Conseguiu achar apenas dois menos votados que não se arrependeram — Acir Gurgacz (PDT) de Rondônia e Dorinha Seabra (União Brasil) do Tocantins — e cinco que se justificaram, como Christovam Buarque.
Ele diz hoje que “a gente não se arrepende daquilo que, naquele momento, era o mais certo. Sendo o mais certo o que declarou no ato do seu voto:
—Estamos fazendo o impeachment não só da presidenta Dilma, mas de uma esquerda velha, obsoleta, não para cair na direita, mas para avançarmos a um novo tempo cheio de riscos e de esperanças.
Tudo somado, olhando em perspectiva, o impeachment que turbinou a direita — e foi péssimo para Dilma e o PT — parece ter sido bom para Lula. Mesmo e inclusive entre as mulheres, que ainda o a-do-ram.
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