A reação de Gilmar Mendes ao indiciamento feito pelo senador Alessandro Vieira expõe uma face do Judiciário que ameaça, acusa sem provas e ignora a imunidade parlamentar.

O senador Alessandro Vieira extrapolou, mas vai se formando um consenso de que foi muito mais inconstitucional a reação do ministro Gilmar Mendes a seu indiciamento no relatório da enterrada CPI do Crime Organizado.
Simplesmente porque um juiz não emite opiniões, não ameaça, não acusa um senador de ser amigo de milicianos sem provas, não o chama “para dançar” num processo judicial e muito menos revida com um pedido de investigação a ao amigo também também indiciado.
Pois é o que pode acontecer se vingar seu pedido à Procuradoria Geral da República do seu ex-sócio Paulo Gonet. Jornalistas e especialistas mais tarimbados concluem que, nesse cenário, o senador já está condenado, por ter agido no exercício de suas funções e no exercício de sua imunidade por palavras e votos, independente do conteúdo de seu relatório.
É um Gilmarquistão, para lembrar Xandaquistão, a expressão cunhada pelo influenciador de direita Paulo Figueiredo, sediado nos Estados Unidos, em comparação a quaisquer das ditaduras tribais do Oriente Médio, como Cazaquistão, Usequistão ou mesmo Afeganistão.
Como repetiu ao site Metrópoles para ironizar a pressa com que a imprensa nacional apostou na deportação de Alexandre Ramagem, depois de sua prisão e soltura por um problema migratório.
— A soltura imediata do Ramagem mostra que o mundo livre não reconhece as ordens de prisão políticas vindas do ‘Xandaquistão’. Lá [no Brasil] se prende por opinião; aqui nos EUA, a lei ainda prevalece.
Nos moldes em que foi usada para Alexandre de Moraes, cabe também em Gilmar, em vista do últimos acontecimentos.
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