Por que Lula e suas lideranças resolveram se queimar para proteger ministros indiciados em uma CPI, ignorando o próprio desgaste institucional da Corte.

Alessandro Vieira mirou o STF e acertou no governo, que teve que atravessar a praça para ir escorregar na casca de banana da calçada suprema, que foi o risco de juntar sua tropa no Congresso para abater o relatório final da CPI do Crime Organizado.
O que ele ganhou com isso? Absolutamente, nada que se possa vislumbrar.
Pelo contrário, carimbou na própria testa a relação umbilical com Suas Santidades, numa encruzilhada da história em que elas vivem seu momento mais crônico, ameaçadas de defenestração pela força política que emergirá das próximas urnas eleitorais.
Ainda não li um estrategista que me explicasse a intenção. Por solidariedade, não é. Não só porque inexiste em política, salvo quando interessa. Ainda não se passou uma semana desde que Lula procurou se descolar de Alexandre de Moraes numa entrevista.
Não se vislumbra o cálculo envolvido no corpo a corpo das lideranças governistas para emparedar o relator contra um relatório que, como a maioria dos gerados por CPIs, dão em nada. Ainda mais no caso desse. Mesmo que aprovado, correira alto risco de cair nas mãos dos próprios indiciados, o PGR Paulo Gonet e os três apontados: Moraes, Gilmar, Toffoli.
Prevaleceria, como sempre, a reação e o poder magistocrático que não muda de mãos. Gilmar anunciou o pedido de uma denúncia retaliatória, por abuso de autoridade, contra Alessandro. A quem? Ao indiciado Gonet. Quem julgará? Provavelmente também ele, Gilmar.
O cálculo de Alessandro, de se vingar de Gilmar (escrevi ontem) e desmoralizar o STF, pareceu mais lógico, ainda que de alto risco, que lhe custou parte da biografia ao assumir um relatório francamente eleitoreiro.
Pode ser que tenha embutido nele alguma intenção sutil de empacotar o governo junto. Mas, nem em seus melhores sonhos, deve ter previsto que o governo e suas lideranças no Congresso dariam essa mãozinha para completar o serviço.
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