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Ventilador de Delcídio sopra prisões para, no mínimo, 2023

16 de março de 2016 por Ramiro Batista 5 Comentários

Foto Geraldo Magela / Agência Senado
Denúncia pulverizada de 37 implicados lembra os 40 do Mensalão, condenados em parte sete anos e meio depois

Dez anos depois de o procurador geral da República Antônio Fernando Souza ter pedido ao STF a condenação de 40 envolvidos no Mensalão, o senador Delcídio Amaral mandou  37 políticos para as barras do tribunal em sua delação premiada que tirou o chão de Brasília.

Na época, o 11 de abril de 2006, especulava-se que a intenção do governo era mais confundir e delongar do que provocar punições.

Apostava em estender um pouco mais a lentidão clássica do Supremo, por onde processos passam por até 20 anos, entulhando de informações ministros já suficientemente entulhados.

Como o relator era Joaquim Barbosa, o primeiro negro da história da Corte, em tese amigo do presidente Lula, que o nomeou, ainda seria possível trabalhar nos bastidores, nos chamados “embargos auriculares”, para dar, digamos, uma ênfase à tese protelatória.

Além disso, o 40 era, como se diz hoje, um número midiático, que remete à comparação inevitável com a famosa fábula das arábias. Um bom número — como se sabe — é um bom fetiche para desviar o assunto para o folclórico, em detrimento do essencial.

Deu no que deu. Joaquim Barbosa não se portou como se esperava. Apesar do volume e da complexidade dos dados, fez um contundente, articulado e fundamentado relatório, sem grandes brechas para os acusados, num prazo considerado até razoável para os padrões da corte.

De qualquer forma, a primeira condenação definitiva, esgotados todos os recursos, embargos e chicanas, só saiu a 13 de novembro de 2013, sete e meio anos depois: a do ex-diretor do banco do Brasil, Henrique Pizzolato, que viria a fugir para a Itália.

Se se considerar que os 37 implicados por Delcídio ainda vão começar a ser ouvidos e investigados antes da denúncia do procurador geral, que nem pode ser mais Rodrigo Janot quando vier, sete anos e meio é um número otimista para as primeiras decisões definitivas. Outra complicação é que serão vários processos dispersos e não reunidos numa única peça, como foi a de Antônio Fernando.

Não se pode sugerir alguma segunda intenção na metralhadora pulverizadora de Delcídio, que mais confunde do que explica e fabrica aquele caos que distribui medo e transforma todos cúmplices e, ele incluído, vítimas de uma cultura.

— Ou nos locupletemos todos ou restaure-se a moralidade — diria Stanislaw Ponte Preta, que ainda poderia ser adaptado para “ou vamos todos para o buraco ou me tirem de lá”.

O problema é que, quanto mais disperso o tiro, menos possibilidade de acertar o alvo. E os alvejados de raspão tendem a desmoralizar a sua pontaria. Grande parte dos 37, pegos em insinuações de prova difícil, se apressou ontem em negar e ironizar a precisão de seus tiros.

Tivesse tido um bom assessor de imprensa na cadeia, ao invés de políticos e advogados, deveria ter concentrado o tiro num único alvo ou no máximo três, de fácil digestão para o entendimento da mídia e das massas.

O melhor deles, sem dúvida, de melhor efeito midiático, seria Lula e a história dos três episódios em que operou para calar testemunhas: Ronan Maria Pinto, do caso Celso Daniel, em 2004; Marcos Valério, do Mensalão, em 2006; Nestor Cerveró, do Petrolão, no ano passado.

É uma história bem encadeada, de enredo lógico e razoável verossimilhança, com um núcleo central e um grande protagonista, em torno do qual poderiam, aí sim, orbitar sem maiores destaque os outros 36 personagens.

Narrativa, senador. Narrativa é tudo.

Sem ela, tudo se dispersa no tempo e no espaço. Inclusive as sentenças dos magistrados.

Para o povo que foi para as ruas no domingo, na melhor das hipóteses, é aguardar 2023.

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Arquivado em: POLÍTICA Marcados com as tags: escândalos políticos, políticos e candidatos

Sobre Ramiro Batista

Sou escritor e jornalista formado em Letras e Literatura, Comunicação e Marketing, experiente em escrever, editar, publicar, engajar e promover pessoas e ideias. Compartilho tudo o que sei sobre o uso de ferramentas de comunicação para conquistar e manter poder.

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Comentários

  1. Miguel Arcanjo Carvalho diz

    16 de março de 2016 em 15:33

    É inacreditável como tentam esconder e proteger o Aécio Neves, até nessa hora. Deus me livre dessa parcialidade geral que temos assistido a tanto tempo! Será que um dia irão investigá-ló? Espero que sim!

  2. Bernardo Siqueira diz

    16 de março de 2016 em 11:21

    Joaquim Barbosa não foi o primeiro negro na composição do STF, como erroneamente informado na matéria.
    O primeiro negro a ocupar uma cadeira no STF foi Pedro Lessa, também mineiro, indicado pelo Presidente Afonso Pena em 1907! 1907!
    Fonte:
    http://www.stf.jus.br/portal/ministro/verMinistro.asp?periodo=stf&id=113
    Ademais, Joaquim Barbosa já afirmou em entrevista ao Canal Brasil, ao ator Lazaro Ramos, que não conhecia Lula antes da sua indicação, nunca tendo sido amigos. Na verdade, Lula, também, sem consultar as fontes, acreditou estar indicando o primeiro negro na composição do STF, embora atrasado em cerca de 100 anos!

  3. Rodrigo de Lima Ferreira diz

    16 de março de 2016 em 10:01

    É incrível como tentam esconder o Aécio até nessa hora. Deus me livre!

  4. Marcos Melão diz

    16 de março de 2016 em 09:36

    E agora? Onde foi parar o “Balé do Lula”

  5. Mario Lucio Caldeira de Faria diz

    16 de março de 2016 em 08:58

    Infelizmente, somos governados por ladrões que com a metralhadora mortal de Delcídio do Amaral deveriam ir diretamente para a cadeia e o povão que lotou as ruas no memorável 13 de março último agradeceria a justiça brasileira.

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